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(Miami) - A constatação
do câncer de mama nas mulheres representa um marco em suas
vidas, diante da problemática que consiste não só
a retirada do tumor, como também o período em que
elas se submetem ao receber as aplicações de radioterapia.
Diagnosticado o tumor, os procedimentos médicos têm
que ser tomados de imediato, procurando a cura do mal.
Estética e psicologicamente a preservação
do seio na imensa maioria das mulheres surge como discussão
paralela à detecção pela mamografia digital
de qualquer alteração, notadamente no diagnóstico
de um câncer invasivo na mama., após a realização
de uma biópsia.
As regras médicas oferecem como opções de
tratamento a mastectomia radical sem radiação ou a
remoção do tumor (setorectomia) seguida de radiação
externa, preservando a mama, mas submetendo-se a longo período
de tratamento. |
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No Baptist Health Systems em Miami, na Flórida (USA) está
sendo aplicado um revolucionário sistema na cura dessa doença,
através da chamada braquiterapia, um dos métodos primordiais
da radioterapia, consistindo na radiação depositada
diretamente na área do tumor, conforme explica a médica
brasileira Maria Amélia Rodrigues, radióloga e oncóloga,
especializada em câncer de mama.
Salienta que, com o avanço dos aceleradores lineares, perdeu-se
o interesse por esta técnica nos centros médicos americanos,
mas ela resolveu voltar a aplicar a braquiterapia quando se confrontou
com uma paciente que havia desenvolvido câncer na mama esquerda,
duas décadas após ter sido submetida a uma mastectomia
e radiação a fim de debelar um processo de câncer
na mama direita.
Diante da incerteza da extensão do campo de irradiação
anterior e dados os riscos de complicações em caso
de radiação excessiva, ela resolveu optar por um método
efetivo, mas então raramente utilizado, aplicando a radioterapia
local utilizando sementes radioativas. Não só o tratamento
registrou completo êxito como também serviu para evitar
a recidiva do tumor, proporcionando à paciente um resultado
cosmético bem superior à radioterapia convencional.
Relegada a segundo plano, a braquiterapia retomou seu alto conceito
junto aos segmentos médicos norte-americanos com sua eficácia
no combate ao câncer de mama, constatada no caso enfrentado
pela dra. Maria Amélia. Ao mesmo tempo, outros centros nos
Estados Unidos voltaram a utilizar a mesma técnica, ainda
mais diante de novos estudos científicos publicados recentemente
nos Estados Unidos que revelam resultados semelhantes à radioterapia
convencional.
O método - A grande diferença entre os dois
tipos de radiação é o tempo de duração
do tratamento e a redução do volume de tecido sadio
a ser irradiado, uma vez que enquanto a radioterapia externa comporta
um período de tratamento de seis semanas e meia, risco de
provocar lesões no pulmão e coração,
além de tratar a mama inteira, a braquiterapia é um
tratamento localizado que se completa em uma semana.
A braquiterapia tradicional consiste na aplicação
de tubos de plástico ao redor da área de onde foi
removido o tumor (cavidade tumoral). Através desses cateteres
plásticos, uma semente radioativa de tamanho um pouco maior
que um grão de arroz, é enviada e atravessa toda a
cavidade tumoral em 5 a 7 minutos, depositando em cada milímetro
de tecido altas doses de radiação letal, sendo o tratamento
efetuado duas vezes por dia, num total de dez sessões.
A dra. Maria Amélia está utilizando um cateter especial
para braquiterapia de mama chamado MammoSite RTS, que tem na sua
ponta um balão que se infla com líquido, permitindo,
assim, difusão precisa de radiação a partir
da semente radioativa que se aloja na parte central da esfera formada
pelo balão inflado. O uso desse cateter é indicado
na braquiterapia da mama quando o câncer se encontra nos seus
estágios mais iniciais. |