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  Salvador - Bahia - Brasil - Outubro de 2002 - ANO VIII - Nº. 76
 
Mama
Método de radioterapia acelerada reduz traumas e tempo no tratamento do câncer

(Miami) - A constatação do câncer de mama nas mulheres representa um marco em suas vidas, diante da problemática que consiste não só a retirada do tumor, como também o período em que elas se submetem ao receber as aplicações de radioterapia. Diagnosticado o tumor, os procedimentos médicos têm que ser tomados de imediato, procurando a cura do mal.

Estética e psicologicamente a preservação do seio na imensa maioria das mulheres surge como discussão paralela à detecção pela mamografia digital de qualquer alteração, notadamente no diagnóstico de um câncer invasivo na mama., após a realização de uma biópsia.

As regras médicas oferecem como opções de tratamento a mastectomia radical sem radiação ou a remoção do tumor (setorectomia) seguida de radiação externa, preservando a mama, mas submetendo-se a longo período de tratamento.


A pipeta com agulhas radiotavias é introduzida no seio
através de uma minúscula incisão
 


No Baptist Health Systems em Miami, na Flórida (USA) está sendo aplicado um revolucionário sistema na cura dessa doença, através da chamada braquiterapia, um dos métodos primordiais da radioterapia, consistindo na radiação depositada diretamente na área do tumor, conforme explica a médica brasileira Maria Amélia Rodrigues, radióloga e oncóloga, especializada em câncer de mama.

Salienta que, com o avanço dos aceleradores lineares, perdeu-se o interesse por esta técnica nos centros médicos americanos, mas ela resolveu voltar a aplicar a braquiterapia quando se confrontou com uma paciente que havia desenvolvido câncer na mama esquerda, duas décadas após ter sido submetida a uma mastectomia e radiação a fim de debelar um processo de câncer na mama direita.

Diante da incerteza da extensão do campo de irradiação anterior e dados os riscos de complicações em caso de radiação excessiva, ela resolveu optar por um método efetivo, mas então raramente utilizado, aplicando a radioterapia local utilizando sementes radioativas. Não só o tratamento registrou completo êxito como também serviu para evitar a recidiva do tumor, proporcionando à paciente um resultado cosmético bem superior à radioterapia convencional.

Relegada a segundo plano, a braquiterapia retomou seu alto conceito junto aos segmentos médicos norte-americanos com sua eficácia no combate ao câncer de mama, constatada no caso enfrentado pela dra. Maria Amélia. Ao mesmo tempo, outros centros nos Estados Unidos voltaram a utilizar a mesma técnica, ainda mais diante de novos estudos científicos publicados recentemente nos Estados Unidos que revelam resultados semelhantes à radioterapia convencional.

O método - A grande diferença entre os dois tipos de radiação é o tempo de duração do tratamento e a redução do volume de tecido sadio a ser irradiado, uma vez que enquanto a radioterapia externa comporta um período de tratamento de seis semanas e meia, risco de provocar lesões no pulmão e coração, além de tratar a mama inteira, a braquiterapia é um tratamento localizado que se completa em uma semana.

A braquiterapia tradicional consiste na aplicação de tubos de plástico ao redor da área de onde foi removido o tumor (cavidade tumoral). Através desses cateteres plásticos, uma semente radioativa de tamanho um pouco maior que um grão de arroz, é enviada e atravessa toda a cavidade tumoral em 5 a 7 minutos, depositando em cada milímetro de tecido altas doses de radiação letal, sendo o tratamento efetuado duas vezes por dia, num total de dez sessões.

A dra. Maria Amélia está utilizando um cateter especial para braquiterapia de mama chamado MammoSite RTS, que tem na sua ponta um balão que se infla com líquido, permitindo, assim, difusão precisa de radiação a partir da semente radioativa que se aloja na parte central da esfera formada pelo balão inflado. O uso desse cateter é indicado na braquiterapia da mama quando o câncer se encontra nos seus estágios mais iniciais.

Quem é - Graduada pela Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro, a dra. Maria Amélia Rodrigues realizou estágios no Hospital Gaffrée e Guinle e no Instituto Nacional do Câncer (RJ). Foi visitante na divisão de oncologia e hematologia da Universidade de Tennessee (Memphis-USA), depois foi para a Califórnia,onde passou pela Kaiser Foundation Medical Center e departamento de medicina oncológica da Universidade de São Francisco. É membro efetiva de vários comitês de estudos clínicos relacionados com distintos tipos de câncer no Brasil e Estados Unidos, é diretora da filial da Califórnia da Sociedade Americana de Câncer, integrando também o Comitê de Câncer do Baptist Hospital de Miami, que faz parte do Programa Saúde Miami.

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