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Salvador - Bahia - Brasil - Novembro de 2006 - ANO XII - Nº. 120
Lula conversará com governadores eleitos, sem distinção de partidos
Também os senadores e deputados federais que não participaram da coligação que o elegeu serão convocados para um diálogo, com vistas à governabilidade do país.

Onze estados brasileiros serão comandados, nos próximos quatro anos, por governadores atualmente considerados oposicionistas ao presidente Lula. Eles representam 52,6% de todo o eleitorado, contra 44,3% em outras 15 unidades da Federação que optaram pela reeleição. No Maranhão, o pedetista Jackson Lago poderá rezar no catecismo do PT.

O PT light, no qual despontam Jaques Wagner, Marcelo Déda e a ministra Dilma Roussef, endossam a idéia do Presidente e trabalham na pavimentação de um horizonte de entendimento entre todas as correntes políticas que permitirão ao Governo enviar ao Congresso projetos de reforma política, judiciária e tributária.

Claro está que a Bahia, Ceará, Rio de Janeiro, Pará, Pernambuco, Amazonas, Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro, Paraíba, Sergipe, Piauí, Rio Grande do Norte, Acre e Tocantins que apoiaram Lula no primeiro momento receberão um tratamento diferenciado, de acordo com as progressões políticas para o futuro: eleições municipais, estaduais e presidenciais.

O comando instalado no palácio do Planalto reconhece o peso político, administrativo e econômico de São Paulo, Minas Gerais, Alagoas, Paraíba, Roraima, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Mato Grosso, Roraima, Goiás e Santa Catarina. Não pretende terçar armas com estes Estados e, sim, traze-los para mais perto, embalando-os no sonho de atender pedidos palatáveis.

Congresso - Senadores e deputados abrigados pelas siglas PSDB, PFL, PPS, parte do PMDB e PR já manifestam suas posições perante o segundo mandato de Lula, confirmando um discurso agressivo a deduzir das palavras do líder da oposição no Senado, Álvaro Dias: “Quando se elege um governo novo, nós damos um prazo para ver como ele se comporta. Mas este é um governo de continuidade, não há porque dar tempo. O julgamento político deve ocorrer”, e do deputado Roberto Freire: “A urna não absolve e não autoriza a impunidade”.

Suplentes.
Constituição muda para instituir o voto direto.

É considerada uma verdadeira usurpação de mandato, aberrante na democracia, regime no qual não se pode admitir representação política sem voto, a posição dos suplentes de senadores, eleitos sob o manto do nome principal da chapa, os quais, em sua imensa maioria, são completamente desconhecidos dos eleitores.

Na Bahia, por exemplo, quem sabe quais os suplentes dos senadores ACM, César Borges, Rodolpho Tourinho e de João Durval Carneiro? São dois nomes que compõem as chapas que concorreram às eleições e, quando eleitos, muitas vezes assumem o mandato por motivos de doença, renúncia ou no caso dos titulares ocuparem outros cargos incompatíveis com o cargo.

O povo vota no nome principal, desconhecendo aqueles que poderão substituí-los algum dia, exercendo os mesmos poderes e com todos os privilégios de quem recebeu nas urnas o reconhecimentos dos eleitores.

Milionários.
Um em cada três deputados federais eleitos é rico.

Dos 513 parlamentares que assumem o cargo na próxima legislatura, 165 deles confirmaram um patrimônio acima de R$ 1 milhão, constante na informação ao TSE, nem sempre refletindo a realidade. Do total, 74 são novatos e 91 já exercem o mandato.

Subiu de R$ 2,2 milhões para R$ 2,5 milhões o patrimônio médio dos récem-eleitos, destacando-se o dono da Viação Itapemirim, Camilo Cola (PMDB-ES), que, aos 83 anos, é o mais rico dos deputados, com uma fortuna declarada de R$ 259 milhões. O segundo é Odílio Balbinotti (PMDB-PR), com R$ 123 milhões. O PFL, com 38, possui o maior número de milionários, seguindo-se o PMDB, com 37, o PSDB com 21 e o PT registra 6 dos seus filiados.

 
Cobiçado


Cauteloso, o arguto deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) está atento para a quantidade de repentinos amigos surgidos em sua vida. Tem receio de luxar o braço ao responder tantas saudações e apertos de mão.

Quem dá mais?

Até assumir o mandato, o ex-ministro Antonio Palocci - com novo figurino e 15 quilos a menos - está cobrando R$ 15 mil (mais passagem e hospedagem) para dar palestras em bancos e empresas privadas.


Sorridentes

Socialistas estão em festas: Lídice da Matta foi votada em 372 cidades baianas, recebendo 188.927 votos (250.000 na legenda). Já Daniel Almeida, do PCdoB, foi lembrado em 380 municípios, sendo o 6º deputado federal mais votado na Bahia, com 86.881sufrágios.


Ministérios

Delfim Neto, Walfrido Mares Guia, Ciro Gomes, Marta Suplicy, Paulo Bernardo, Geddel Vieira Lima, Nelson Jobim e Tarso Genro na lista reestruturada de novos ministros e novas pastas.


Corrupção

As 89 obras federais consideradas irregulares pelo Tribunal de Contas da União estão com contratos superfaturados em mais de
R$ 1 bilhão. Todas localizadas no DNIT (estradas), Infraero (aeroportos), DNOCS, Centrais Elétricas do Norte e Ministério da Integração Nacional.



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