Como o próprio nome da doença aponta, a idade é o principal fator de risco para seu desenvolvimento. No entanto, há outros fatores importantes que também contribuem como hereditariedade, tabagismo, hipertensão arterial, alimentação desbalanceada e obesidade. O risco de fumantes desenvolverem degeneração macular é duas vezes maior do que não fumantes, e se o tabagismo estiver associado à predisposição genética, esse risco aumenta para 144 vezes.
Os estágios inicial e intermediário da doença são conhecidos como "forma seca", em oposição ao estágio avançado, no qual ocorre formação de vasos sangüíneos anômalos sob a retina que se rompem e sangram, e por isso é chamado de "forma úmida". No estágio inicial não há alteração visual e a doença só pode ser diagnosticada através do exame oftalmológico de rotina. O primeiro sintoma, que ocorre já no intermediário, é a distorção das imagens, diz Damico. No avançado, o rompimento dos vasos sangüíneos sob a retina causam uma mancha escura no centro da visão, que provoca dificuldade em atividades cotidianas como ler, enxergar placas, cozinhar, reconhecer pessoas, ver televisão, discar números do telefone e dirigir.
Tratamento - Não existe para a forma seca, mas a alimentação balanceada diminui o risco de progressão por repor substâncias importantes para o bom funcionamento da retina que são perdidas com a doença. A alimentação ideal deve conter folhas verde-escuras, frutas e legumes de cores amarelo-alaranjada e vermelha, carnes e peixe. E já existem suplementos alimentares que contêm substâncias específicas e são capazes de retardar a progressão da doença.
Na forma úmida (estágio avançado) é a área da Oftalmologia que mais tem evoluído nos últimos anos. Os tratamentos com laser e terapia fotodinâmica beneficiam somente 1/3 dos pacientes, mas a identificação de moléculas envolvidas especificamente nesse estágio da doença abriu caminho para o desenvolvimento de medicamentos capazes de bloqueá-las e interromper a doença na sua forma mais debilitante.
As duas drogas já aprovadas nos Estados Unidos e no Brasil (Macugen e Lucentis) são aplicadas dentro do olho em pequenas doses e conseguem exercer seu efeito mais rapidamente, sem efeitos colaterais. Atualmente, todos os pacientes com a forma úmida podem ser tratados, sendo possível até recuperar parte da visão perdida, algo impensável há poucos anos.
Esses medicamentos bloqueiam a formação dos vasos sangüíneos anômalos sob a retina, uma etapa comum a várias outras doenças que acometem a retina como diabetes e oclusões vasculares. Portanto, também são eficazes no tratamento dessas doenças, o que os tornam armas poderosas no tratamento das principais causas de cegueira em adultos, conclui Damico. |