Com a platéia evidentemente ao seu favor, Paulo Skaf disparou uma saraivada de duras críticas ao governo, com um discurso que levantou as questões do fim da CPMF e a alta carga tributária, hoje em torno de 44% do PIB. Culpou também o câmbio valorizado como elemento provocador de uma grande perda de competitividade do Brasil no exterior.
Asseverou o presidente da FIESP (candidato único à reeleição para mais um mandato à frente da entidade) que, ao invés de discutir a renovação da CPMF, o governo deveria procurar as alternativas para usar melhor o dinheiro público. A legislação cambial precisa ser revista, o câmbio valorizado privilegia alguns setores, como as commodities, mas atrapalha outros, e estas questões não podem mais serem postergadas, disse ele.
Tendo à mesa um silente e bastante aplaudido ex-ministro Luis Furlan, o gaúcho Jorge Johannpeter Gerdau fez coro às estocadas do paulista e de 40% do PIB brasileiro ali presente, cobrando pressa na implementação das reformas tributária, política e da previdência. Pediram a intensificação da queda na taxa de juro, desburocratização da administração pública e maiores investimentos na infra-estrutura do país, principalmente nas estradas e portos. Nesse ponto, é importante que tudo que está previsto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) realmente aconteça, disse Skaf.
Criador do projeto Movimento Brasil Competitivo, Gerdau elaborou um estudo no Ministério da Previdência onde concluiu que poderiam ser economizados R$ 50 bilhões, em até dois anos, apenas com controle de gastos. Revelou que, enquanto suas empresas em 9 países não têm um único problema, no Brasil, ao contrário, são centenas de ações trabalhistas e na Justiça Comum. Levantou dúvidas sobre o pagamento de benesses, afirmando que ninguém pode conseguir uma aposentadoria maior do que a contribuição. E desancou o Porto de Santos: "se existisse uma gestão eficiente que quebrasse com o corporativismo, a produtividade seria aumentada, assim como a geração de empregos".
Wagner defende - Diante das evasivas do deputado Arlindo Chinaglia, presidente da Câmara e até mesmo do senador petista Aloísio Mercadante, presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, o governador baiano provocou, perguntando: será que os que defendem o crescimento da economia brasileira a taxas idênticas às da China topariam copiar também o sistema político chinês? E conclamou todos a pensar profundamente o Brasil, refletindo sobre as ações de cada um, para ver se elas ajudam ou não a redução das desigualdades sociais no Brasil.
Tem muita gente vindo para a Bahia e para o Nordeste em busca de mão-de-obra barata. Mas nós queremos um mercado de consumo, queremos acabar com a desigualdade social e não criar uma estrutura em que o trabalho cada vez se apropria de menos e o capital se apropria de mais, asseverou Wagner. Sustentou a política cambial do governo, dizendo não conhecer nenhum país no mundo que consiga arbitrar o preço do dólar.
Idealizador e presidente do Grupo de Líderes Empresariais (LIDE), João Doria Jr. considerou o Fórum uma rara oportunidade de colocar a nata do empresariado ao lado de proeminentes políticos brasileiros para buscar os caminhos do entendimento e convergência, a fim de que o Brasil possa andar mais rápido e ser mais competitivo. |