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Salvador - Bahia - Brasil - Maio de 2007 - ANO XII - Nº. 126
Presidente da FIESP: Lula não utiliza bem o dinheiro público.
Jaques Wagner rebateu os empresários que criticaram o baixo índice de crescimento do Brasil.

(Ilha de Comandatuba) - Quatro governadores, 6 senadores, 22 deputados federais e 320 CEOs de empresas multinacionais discutiram e analisaram assuntos como reformas trabalhista, previdenciária e judiciária, câmbio valorizado e taxa de juros durante o 6º Fórum Empresarial organizado pela Dória Associados.

Mesmo sentindo as ausências - embora confirmadas - dos ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais) os debatedores tiveram no presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, um ouvinte tanto quanto mais arguto e silencioso e não combativo.


João Dória entre os governadores Sérgio Cabral (RJ), Jaques Wagner (BA), Cássio Cunha Lima (PB) e Eduardo Campos (PE).

Com a platéia evidentemente ao seu favor, Paulo Skaf disparou uma saraivada de duras críticas ao governo, com um discurso que levantou as questões do fim da CPMF e a alta carga tributária, hoje em torno de 44% do PIB. Culpou também o câmbio valorizado como elemento provocador de uma grande perda de competitividade do Brasil no exterior.

Asseverou o presidente da FIESP (candidato único à reeleição para mais um mandato à frente da entidade) que, ao invés de discutir a renovação da CPMF, o governo deveria procurar as alternativas para usar melhor o dinheiro público. A legislação cambial precisa ser revista, o câmbio valorizado privilegia alguns setores, como as commodities, mas atrapalha outros, e estas questões não podem mais serem postergadas, disse ele.

Tendo à mesa um silente e bastante aplaudido ex-ministro Luis Furlan, o gaúcho Jorge Johannpeter Gerdau fez coro às estocadas do paulista e de 40% do PIB brasileiro ali presente, cobrando pressa na implementação das reformas tributária, política e da previdência. Pediram a intensificação da queda na taxa de juro, desburocratização da administração pública e maiores investimentos na infra-estrutura do país, principalmente nas estradas e portos. Nesse ponto, é importante que tudo que está previsto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) realmente aconteça, disse Skaf.

Criador do projeto Movimento Brasil Competitivo, Gerdau elaborou um estudo no Ministério da Previdência onde concluiu que poderiam ser economizados R$ 50 bilhões, em até dois anos, apenas com controle de gastos. Revelou que, enquanto suas empresas em 9 países não têm um único problema, no Brasil, ao contrário, são centenas de ações trabalhistas e na Justiça Comum. Levantou dúvidas sobre o pagamento de benesses, afirmando que ninguém pode conseguir uma aposentadoria maior do que a contribuição. E desancou o Porto de Santos: "se existisse uma gestão eficiente que quebrasse com o corporativismo, a produtividade seria aumentada, assim como a geração de empregos".

Wagner defende - Diante das evasivas do deputado Arlindo Chinaglia, presidente da Câmara e até mesmo do senador petista Aloísio Mercadante, presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, o governador baiano provocou, perguntando: será que os que defendem o crescimento da economia brasileira a taxas idênticas às da China topariam copiar também o sistema político chinês? E conclamou todos a pensar profundamente o Brasil, refletindo sobre as ações de cada um, para ver se elas ajudam ou não a redução das desigualdades sociais no Brasil.

Tem muita gente vindo para a Bahia e para o Nordeste em busca de mão-de-obra barata. Mas nós queremos um mercado de consumo, queremos acabar com a desigualdade social e não criar uma estrutura em que o trabalho cada vez se apropria de menos e o capital se apropria de mais, asseverou Wagner. Sustentou a política cambial do governo, dizendo não conhecer nenhum país no mundo que consiga arbitrar o preço do dólar.

Idealizador e presidente do Grupo de Líderes Empresariais (LIDE), João Doria Jr. considerou o Fórum uma rara oportunidade de colocar a nata do empresariado ao lado de proeminentes políticos brasileiros para buscar os caminhos do entendimento e convergência, a fim de que o Brasil possa andar mais rápido e ser mais competitivo.

 
Amigo da Onça


Aloísio Mercadante depende de um apoio do seu colega Antônio Carlos Magalhães, na Comissão de Constituição e Justiça, para exigir do Banco Central transparência total dos seus atos. Henrique Meirelles está tiririca com o companheiro.

Bonzinho
Para o deputado Arlindo Chinaglia, as causas na demora das reformas são as divergências políticas. O PAC não dá conta de tudo, mas atende o essencial. O câmbio valorizado barateia o consumo da maioria da população e os tributos financiam os serviços públicos, como o SUS.


Infiéis
O senador Aloísio Mercadante insistiu na reforma política em especial, na cláusula de barreira e fidelidade partidária. Para ele, a redução na quantidade de partidos no Congresso facilitaria a negociação, e o diálogo seria mais fácil tanto na coalizão como na oposição.


Fim da CPMF
O senador Arthur Virgílio sugeriu que a contribuição caia gradualmente, até ser extinta, enquanto o senador José Agripino Maia pedia sua extinção imediata.


Tudo está bem
Henrique Meirelles colocou o Brasil em um dolce far niente, citando exemplos de vários setores que estão com taxas de crescimento superiores a 5% em relação ao ano passado, como é o caso do automobilístico, ressaltando que "nenhum empresário me procurou para dizer que a situação da sua empresa piorou."



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