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  Salvador - Bahia - Brasil - Junho de 2004 - ANO IX - Nº. 93
 
Transplantes
Doação de órgãos supera média nacional de crescimento e 1.500 estão na fila
Na Bahia, os procedimentos no primeiro semestre registraram crescimento de 62% contra 22% de todo o Brasil, mas ainda existe defasagem em torno de 90% em relação à lista de espera por um transplante. Aproximadamente 1.500 pessoas estão à espera de um órgão e apenas 10% conseguem ser atendidas (foram 153 transplantes de rim, fígado, medula óssea, córnea e tecido ósseo, em 2003 e este ano, 89). A subnotificação é responsável pela perda de nove em 10 potenciais doadores de órgãos.

O coordenador da Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos, da Secretaria da Saúde (Sesab), Jorge Bastos, denuncia que um dos grandes entraves para doação de órgãos é a aceitação do conceito de morte encefálica pelas famílias e pelos próprios profissionais de saúde. Medida pioneira do estado nesse campo (seguida também em nível nacional) foi adotada pela Sociedade Baiana de Terapia Intensiva: procura identificar o nível de conhecimento dos intensivistas quanto ao diagnóstico dessa morte. O Brasil realizou 8 mil transplantes de órgãos e tecidos no ano passado e foi o país que mais transplantou rins.
 

José Rodrigues Alves, secretário
de Saúde do Estado da Bahia
 
 

Prisão de ventre

A baixa ingestão de fibras e de líquidos pode gerar constipação intestinal ou prisão de ventre, com desconforto abdominal e presença de gases. As fezes, por conta quase sempre de hábitos inadequados à mesa, ficam endurecidas, o que provoca dificuldade de evacuar. A prisão de ventre, é conseqüência da permanência prolongada do conteúdo fecal no intestino, situação que também favorece a formação excessiva de gases. As mulheres, por questões culturais, acabam sendo afetadas. Como medida de tratamento, é importante incluir mais fibras na alimentação, caminhar pelo menos 30 minutos por dia, tomar 2 litros de água diariamente e identificar os alimentos que provocam gases - se possível, trocá-los por outros equivalentes em termos de nutrientes.


Problemas musculares

O inverno tende a ser bastante rigoroso e, com o frio, surgem alguns problemas musculares tais como lombalgias, hérnia de disco, artrite, artrose, entre outros, que podem ser agravados com a falta de exercícios. Os músculos estão mais contraídos e rígidos para evitar a perda de calor, o que cresce o risco de lesões, contraturas, distensões, estiramento, lesões articulares em geral, entre outros distúrbios, alerta Cristiano Castellani, coordenador do departamento de fisioterapia da Triathon Academia. Estudo realizado por médicos do Hospital Central de Jyvaskyla, na fria Finlândia, constatou que a musculação pode auxiliar na prevenção de dores musculares, principalmente na região cervical. Com a diminuição do impulso nervoso por causa do frio, a dor aumenta. É justamente ele que controla este incômodo, mas com os exercícios isto pode melhorar, explica Elaine Scaff Hadad, especialista e médica fisiatra da Ortodor Clínica de Fraturas, Ortopedia e Tratamentos da Dor. Alguns atletas são meteorologistas, isto é, um dia antes das mudanças de temperatura, as articulações apresentam uma dor diferente e especialmente no inverno os aquecimentos e alongamentos requerem maior atenção porque preparam os músculos tanto para prática do exercício quanto para o relaxamento. E é justamente neste período que a procura pelas clínicas de ortopedia se acentua. Os problemas são diversos: desde lesões graves até problemas musculares mais corriqueiros.


Sílica

Segundo estudos realizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e Organização Internacional do Trabalho (OIT) há atualmente, no Brasil, cerca de seis milhões de trabalhadores expostos às poeiras contendo sílica, o pó residual de pedras como mármore e granito. Cerca de 4 milhões de profissionais que atuam na construção civil, correm o risco de adquirir a silicose - tipo de doença pulmonar causada pela inalação do pó. Considerada "doença profissional" e até definida como "acidente de trabalho", a silicose atinge diretamente trabalhadores de marmorarias rústicas, por estarem expostos diariamente ao pó produzido durante a lapidação de placas de granitos e outros minerais. O médico pneumologista, Valter Gurtovenco, explica que a inalação freqüente da sílica pode causar também uma outra doença, a fibrose, uma pneumoconiose que endurece os pulmões e pode ser fatal, causando também males como a pneumonia química, a bronquite e a rinite podem ocorrer com a inalação de sílica.

Morte encefálica - A média considerada ideal para atender à demanda é de 10 a 15 doadores por milhão de habitantes, mas no Brasil esse índice é de 4.8, e embora alguns estados como o Rio Grande do Sul alcancem uma média de 10 por milhão de habitantes, em estados do Norte esse número é menor que um. Um dos fatores responsáveis por esse quadro é o fato de hospitais universitários na Bahia não realizarem transplante e o resultado é que médicos, enfermeiros e assistentes sociais saem da faculdade sem informação, refletindo-se na população. Há ainda os aspectos logísticos e religiosos que também entram como dificultadores.    
     
Enfartes e derrames
Medicamento (estatinas) reduz o nível do colesterol
 

Há uma bomba relógio dentro do corpo. É assim que milhares de brasileiros vivem todos os dias, sem saber que seu coração está em perigo. Mas uma revolução na área da cardiologia, obtida graças a estudos que ajudaram a elucidar o mecanismo das doenças e a ações de medicamentos como estatinas, está ajudando a explicar por que pessoas aparentemente saudáveis - mesmo as que fazem check-up constantemente - acabam morrendo por acidentes cardiovasculares.

Os médicos têm hoje uma melhor compreensão de como ocorre a aterosclerose , responsável pelos enfartes e derrames. Antes dos anos 80, conhecia-se apenas a aterosclerose convencional: quando uma placa de gordura, formada em grande parte pelo colesterol ruim, o LDL, se calcifica e obstrui uma parte interior dos vasos que levam e trazem o sangue bombeado pelo coração. O entupimento dos vasos provoca hipertensão e problemas cardiovasculares e quando a placa que bloqueia o vaso cresce demais, o paciente pode ter um enfarte.

No final dos anos 80, surgiu a hipótese de Glagov, que sugere uma via alternativa da formação da placa que provoca aterosclerose. Em vez de a placa de gordura ocorrer dentro dos vasos e se calcificar, ela ocorre entre as camadas internas do vaso. E quanto mais a placa cresce, menor será o diâmetro da veia e mais difícil será a passagem de sangue. Essas placas, ao contrário da aterosclerose tradicional, são moles, instáveis e responsáveis por 70% dos casos de enfartes.

Os problemas cardíacos ocorrem de duas formas: as placas moles podem reduzir a passagem do sangue de forma que o coração não agüente bombear o sangue e provoque um infarto do miocárdio ou ainda estourarem e acabar lesando as camadas internas dos vasos, chamadas de endotélio. Essa lesão atrai células para o local que acabam formando um coágulo (cuja intenção é estancar o vazamento da placa mole, mas acaba criando um bloqueio dentro do vaso). Os exames tradicionais usados para avaliar o quadro cardíaco do paciente, como o eletrocardiograma, cintilografia ou o cateterismo, não conseguem detectar as placas moles. Portanto, o paciente pode achar que está aparentemente normal, quando, na verdade, há placas moles escondidas entre as camadas do vaso.

Um estudo publicado em março na revista médica JAMA (Journal of the American Medical Association) foi pioneiro em mostrar, por meio de um exame de ponta chamado Ultra-sonografia Intravascular, as placas moles e o efeito de dois tipos de estatinas, a atorvastatina, de nome comercial Lípitor e a pravastatina.

 
     

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