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  Salvador - Bahia - Brasil - Julho de 2004 - ANO IX - Nº. 94
 
  Nota baixa
Retrato do Brasil: violência, desemprego, fome, pobreza e comunicação ruins
Apenas 5,5 foi a nota atribuída aos 18 primeiros meses do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na opinião de 118 jornalistas brasileiros e correspondentes estrangeiros, consultados em todo o País. Política externa e economia receberam aprovação quase unânime, tendo sido consideradas muito ruins a comunicação e o relacionamento com a mídia. Citados como piores ministros, José Dirceu, Olívio Dutra, Humberto Costa, Ricardo Berzoini, Patrus Ananias, Luis Gushiken, Guido Mantega e Dilma Rousseff, enquanto os melhores são Celso Amorim, Antonio Palocci, Luiz Fernando Furlan, Roberto Rodrigues e Márcio Thomas Bastos.


As informações integram pesquisa realizada pela Macroplan Prospectiva & Estratégia, uma empresa de consultoria especializada em estudos prospectivos, administração estratégica e modernização organizacional, com sede no Rio de Janeiro e Brasília, através de uma equipe permanente e multidisciplinar de 15 consultores. Há cinco anos promove um trabalho sistemático de monitoramento da trajetória real do Brasil em face dos cenários desenhados, analisando e interpretando dados, fatos e tendências referentes às dimensões internacional, econômica, política, social e energética do País. Entre seus principais clientes estão a CNI, Inmetro, Petrobras, Senai, Eletronorte e diversas Universidades Privadas.

Em relação ao desempenho do PT nas eleições municipais as opiniões estão divididas: 43% acreditam que será bom/muito bom , mas 54% dizem que será ruim/ muito ruim. A política econômica teve avaliação positiva de 87% dos correspondentes estrangeiros e de apenas 73% dos jornalistas do País. A violência foi apontada por 87% dos estrangeiros e 88% dos brasileiros como o principal problema do governo, enquanto 88% de jornalistas do País se mostraram preocupados com o desemprego e 87% dos estrangeiros com a fome e a pobreza. Mais de 60% dos entrevistados se mostraram desapontados com a comunicação do governo com a sociedade e com o relacionamento deste com a imprensa: 67% dos brasileiros e 73% dos estrangeiros acham ruim/muito ruim o trato do governo com os jornalistas.

Quanto à expectativa do governo Lula, apontou uma visão positiva no terreno da economia a curto e médio prazo: 70% confiam na manutenção dos rumos da atual política econômica até o fim da gestão, mas com relação à situação política é menos otimista, pois a grande maioria (86% dos estrangeiros e 84% dos brasileiros) acredita que a situação ficará estável ou mesmo pior este ano. Também em relação aos problemas sociais as expectativas são bastante pessimistas no curto prazo. Cerca de 80% dos entrevistados acreditam que a pobreza ficará igual ou pior, que o governo não conseguirá melhorar a educação e a saúde e que a segurança pública ficará ainda mais crítica no curto prazo.
Eleições
Urnas eletrônicas custarão R$ 187,3 milhões
Cerca de 120 milhões de brasileiros vão escolher prefeitos e vereadores, utilizando 75 mil urnas eletrônicas, produzidas pelo Grupo FIC/Phihong do Brasil, que as fornece desde 1998, em parceria com a Diebold Procomp, todas implantadas em Santa Rita do Sapucaí (Minas Gerais). O TSE informa que esse lote deverá completar um número total superior a 400 mil urnas e vai custar R$ 187,3 milhões. Mais de 95% dos votos serão totalizados até a meia noite do mesmo dia das eleições. O custo total das eleições, segundo o TSE, será de R$ 594 milhões para atender as 350 mil seções eleitorais em todo o país.

Uma placa-mãe exclusiva equipa as urnas, totalmente novas do ponto de vista tecnológico, explica Cláudio Ribeiro, diretor comercial da FIC, e uma das novidades, é que além de armazenados digitalmente, os votos também terão a possibilidade de serem impressos, possibilitando mais uma possibilidade de fiscalização e lisura de toda a operação. As placas-mãe das urnas 2004 comportam um chip marca National/AMD de 200 MHz de velocidade, com memória de 64 Mbytes, além de duas memórias Flash (adicionais) de 32 Mbytes.
Pesquisa
Jornalistas constatam desinformação e índice de visibilidade do governo baiano
Nos últimos 18 meses, segundo a opinião de 118 jornalistas junto aos 12 principais governos estaduais, apenas 2 registraram números positivos (mais de 50% das pessoas como de desempenho muito bom ou bom): São Paulo (88%) e Minas Gerais (78%). Dois deles, avaliados pela quarta vez consecutiva muito negativamente (desempenho ruim ou muito ruim): Rio de Janeiro (91%) e Distrito Federal (63%). No Ceará, Santa Catarina, Bahia e Goiás predominam a desinformação e o índice de visibilidade dos governadores é inferior a 50%.

Para a avaliação da performance do governo dos 12 principais estados brasileiros (selecionados segundo o critério de participação no PIB nacional) solicitou-se aos pesquisados que se posicionassem quanto ao desempenho global do governo no período de um ano e meio e que indicassem os principais pontos de destaque positivo e negativo. A título de análise foram agrupadas as respostas situadas nas classes 'muito bom e bom' e 'ruim e muito ruim'.
Com relação à visibilidade dos Governos Estaduais diante dos jornalistas pesquisados, com base nas suas respostas quanto à disponibilidade ou não de informações, destaca-se a alta visibilidade do Governo de São Paulo, com 94%, explicada tanto pelo "peso" do próprio Estado no contexto nacional quanto pelo trabalho consistente realizado por Geraldo Alckmin. A também elevada visibilidade do Governo de Minas Gerais (91%) explica-se pela sua trajetória política e desenvoltura nas negociações recentes junto ao Governo Federal, além dos resultados já visíveis obtidos com a implementação de um choque de gestão e o enfrentamento da questão econômica do Estado. O grande índice de visibilidade do governo carioca (96%) é associado majoritariamente à maciça cobertura da crescente violência e insegurança pública na cidade.

Em relação a dezembro, praticamente não houve alteração na avaliação dos governadores Aécio Neves (caiu dois pontos) e Geraldo Alkmin, que obteve sua melhor média - 88% de aprovação - dez pontos superior à verificada em abril, quando fora aprovado por 78% dos jornalistas. Piorou significativamente a avaliação do governador Germano Rigotto: no primeiro ano de seu mandato era aprovado por 67% dos jornalistas e, atualmente, por apenas 48%. A avaliação da governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Mateus, permanece negativa e estável desde janeiro. Reduziu a avaliação negativa do governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (no início do mandato sua gestão era reprovada por 91% dos entrevistados e atualmente é criticada por 63% dos pesquisados). A avaliação dos demais governadores se mantém regular desde abril, com aprovação oscilando entre 20% e 40%.

Questões abertas - A análise qualitativa feita espontaneamente pelos pesquisados confirma, em parte, as impressões descritas na avaliação anterior, na qual Alckmin e a condução que vem fazendo no governo de São Paulo, sobretudo pela gestão e posição política, mantém-se como o principal ponto positivo do desempenho dos governos estaduais, seguido por Aécio Neves, seguindo-se Rigotto (RGS) e Paulo Hartung (ES). Aécio, Rigotto e Marcone Perillo, foram destacados por "conseguirem reerguer a economia de seus estados e trazer investimentos, projetarem seus estados nacionalmente e obterem boa aprovação popular, pela atuação em defesa da segurança pública e por mostrarem habilidade e bom trânsito em negociações com o governo federal".

 

Bombou

Antes de estourar na imprensa brasileira, um senador baiano recebeu cabuloso dossier finamente elaborado pela socialite paulistana, Maria Christina Mendes Caldeira, contra seu ex-marido, o presidente do PL, deputado Valdemar Costa Neto.


Inexcidível

O secretário Otto Alencar pode deixar no armário, por algum tempo, o terno que preparou para tomar posse no Tribunal de Contas dos Municípios. Por enquanto, o governador Paulo Souto não abre mão da sua presença na equipe administrativa.


Minguado

As gráficas baianas estão desesperadas com os políticos. Só recebem pedidos de orçamentos e os pedidos que chegam são mirradíssimos.


Mês que vem

Não bastam os números das pesquisas para abrir os cofres de empresas e amolecer as mãos dos empresários. Dinheiro para a campanha somente a partir de meados de agosto, quando eles receberem o tão prometido dinheiro de Lula, referentes aos débitos de 2003.


Mão de Deus

O senador Marcelo Crivella está como o diabo gosta: além de ser denunciado como sócio da Tv Cabrália e a TV Record (Franca/SP), agora descobriram que a casa onde mora, na Barra da Tijuca (quatro suítes, com 300 m²), é paga pela Igreja Universal (R$ 1,6 milhão por mês). O patrimônio declarado ao TRE é de apenas R$ 21.846.


Amigão

Além dos três primeiros colocados nas pesquisas, as entidades de classe fazem questão de convidar também Benito Gama. Para eles, um amigo de fé, irmão e camarada.


Pão é bom

Muitas conversações e um final mais que feliz: ACM Neto e o vereador Renato Ventura fecharam com os presidentes da Associação dos Proprietários de Padarias (Edésio Duran), do Sindicato dos Panificadores (Mário Pithon) e da ex-presidente, Andréa Lago, total apoio à candidatura de César Borges. São mil estabelecimentos e 10.000 empregos (aliás, votos).


Jequié

Leur Lomanto satisfeito com os 27% de aprovação do seu nome como candidato a prefeito. Considera-se no segundo turno.


Reforma

Pelo menos seis Secretarias com status de Ministérios desaparecerão na reforma que está sendo preparada pelo ministro José Dirceu. Mas seus titulares ainda receberão os vencimentos do cargo até dezembro.


Bom menino

A quantidade de amigos, correligionários e políticos que compareceu ao aniversário de Pedro Godinho (vice na chapa de César Borges), apenas constatou o quanto ele é querido por toda Salvador.


Donas de casa

Projeto de Emenda Constitucional apresentado pela deputada Luci Choinacki (PT-SC) já encaminhado à Comissão de Constituição e Cidadania da Câmara, concede às donas de casa brasileiras com mais de 60 anos, o direito de se aposentarem, recebendo um salário mínimo mensal.

   
     

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