| A
indústria automobilística acredita que as reformas
da Previdência e Tributária, embora não
tenham efeito direto dentro do segmento, provocarão
um clima positivo e de confiança tanto no Brasil como
no Exterior, principalmente num momento em que o país
vive momentos recessivos diante de uma economia castigada
por taxas de juros altos e indecisões nos programas
de incentivos à ampliação do consumo
num mercado completamente estagnado.
Polêmico, líder dentro do segmento em que atua
há mais de 30 anos, atual vice-presidente da General
Motors do Brasil, José Carlos Pinheiro Neto assim define
o panorama do setor automobilístico nacional que possui
o carro popular mais barato do mundo, mas está acometido
por uma demorada crise agravada pelo forte queda do poder
aquisitivo da população Os pátios das
montadoras estão lotados e as fábricas de automóveis
e veículos leves estão com programas de demissões
voluntárias, férias, suspensão temporária
de contratos e bancos de horas, visando amenizar os problemas.
Num ano que se presumia bom, estimando vender 1.650 mil unidades
(incremento de 5% sobre 2002), de repente o setor vê
minguar os números que poderão chegar a dezembro
com apenas 1.300 mil, considera Pinheiro. A expectativa das
companhias está direcionada para a promessa do ministro
Luiz Fernando Furlan em assinar o projeto Modecarga (financiamento
do BNDES para compra por profissionais autônomos de
caminhões zero km com juros mais baixos e parcelas
fixas) e liberar o Acordo Emergencial para automóveis
e comerciais leves (semelhante ao firmado em 1998, com redução
do IPI).
|
|

José Carlos Pinheiro Neto |
|
|
Procurando
olhar de frente a crise, Pinheiro está visitando as 9 regionais
da GM em todo o país, sempre acompanhado pelo presidente
da Associação Nacional das Concessionárias
Chevrolet, João Simão e o Diretor Vendas e Marketing,
Marcos Munhoz. A todos revendedores ele estimula projetos de vendas,
analisando as peculiaridades locais e confirma para este ano mais
dois lançamentos que se juntarão ao Novo Vectra, o
Omega e o Corsa Flex Power (álcool e gasolina), com os quais
garante manter a liderança dentro do mercado, alcançada
em junho.
A GMB espera faturar este ano R$ 1,2 bilhão contra R$ 1
bilhão no exercício passado, exporta para 40 países
(a China é o maior importador comprando 1.450 mil unidades
em 10 anos, seguindo-se o México que absorverá 80.000
unidades em 2003, das quais o Meriva é o maior sucesso).
Destaca o Celta como detentor do maior índice (85%) de vendas
no mundo pela Internet, diz Pinheiro, enfatizando o posicionamento
estratégico da companhia no país com fábricas
em São Caetano, São José dos Campos (SP) e
Gravataí (RS), além dos Centros de Distribuição
localizados em Manaus, Suape (PE), Anápolis (GO), São
Bernardo dos Campos e Gravataí (RS).
Lamenta ser a carga tributária no Brasil bastante elevada
(do preço total, um carro recolhe 35% de IPI, 12% a 17% de
ICMS, 8,38% de PIS/Cofins e mais taxas, contribuições
e tributos, advertindo que o consumidor compra um veículo
e paga dois, razão pela qual a carga tributária para
incentivar as compras. Na Bahia a GM detém 24% do mercado
contra 213% da Fiat, 22,8% da Volks e 19,7% da Ford. Em Salvador,
de janeiro a junho, comercializou 4.055 unidades e em 2002 chegou
as 7.500, o que, considera Pinheiro, mostra a importância
da região para a GMB. |
|
|
|