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  Salvador - Bahia - Brasil - Julho de 2003 - ANO VIII - Nº. 85
 
José Carlos Pinheiro
O governo do presidente Lula está na direção certa, porém em velocidade lenta

A indústria automobilística acredita que as reformas da Previdência e Tributária, embora não tenham efeito direto dentro do segmento, provocarão um clima positivo e de confiança tanto no Brasil como no Exterior, principalmente num momento em que o país vive momentos recessivos diante de uma economia castigada por taxas de juros altos e indecisões nos programas de incentivos à ampliação do consumo num mercado completamente estagnado.

Polêmico, líder dentro do segmento em que atua há mais de 30 anos, atual vice-presidente da General Motors do Brasil, José Carlos Pinheiro Neto assim define o panorama do setor automobilístico nacional que possui o carro popular mais barato do mundo, mas está acometido por uma demorada crise agravada pelo forte queda do poder aquisitivo da população Os pátios das montadoras estão lotados e as fábricas de automóveis e veículos leves estão com programas de demissões voluntárias, férias, suspensão temporária de contratos e bancos de horas, visando amenizar os problemas.

Num ano que se presumia bom, estimando vender 1.650 mil unidades (incremento de 5% sobre 2002), de repente o setor vê minguar os números que poderão chegar a dezembro com apenas 1.300 mil, considera Pinheiro. A expectativa das companhias está direcionada para a promessa do ministro Luiz Fernando Furlan em assinar o projeto Modecarga (financiamento do BNDES para compra por profissionais autônomos de caminhões zero km com juros mais baixos e parcelas fixas) e liberar o Acordo Emergencial para automóveis e comerciais leves (semelhante ao firmado em 1998, com redução do IPI).

 

José Carlos Pinheiro Neto
 

Procurando olhar de frente a crise, Pinheiro está visitando as 9 regionais da GM em todo o país, sempre acompanhado pelo presidente da Associação Nacional das Concessionárias Chevrolet, João Simão e o Diretor Vendas e Marketing, Marcos Munhoz. A todos revendedores ele estimula projetos de vendas, analisando as peculiaridades locais e confirma para este ano mais dois lançamentos que se juntarão ao Novo Vectra, o Omega e o Corsa Flex Power (álcool e gasolina), com os quais garante manter a liderança dentro do mercado, alcançada em junho.

A GMB espera faturar este ano R$ 1,2 bilhão contra R$ 1 bilhão no exercício passado, exporta para 40 países (a China é o maior importador comprando 1.450 mil unidades em 10 anos, seguindo-se o México que absorverá 80.000 unidades em 2003, das quais o Meriva é o maior sucesso). Destaca o Celta como detentor do maior índice (85%) de vendas no mundo pela Internet, diz Pinheiro, enfatizando o posicionamento estratégico da companhia no país com fábricas em São Caetano, São José dos Campos (SP) e Gravataí (RS), além dos Centros de Distribuição localizados em Manaus, Suape (PE), Anápolis (GO), São Bernardo dos Campos e Gravataí (RS).

Lamenta ser a carga tributária no Brasil bastante elevada (do preço total, um carro recolhe 35% de IPI, 12% a 17% de ICMS, 8,38% de PIS/Cofins e mais taxas, contribuições e tributos, advertindo que o consumidor compra um veículo e paga dois, razão pela qual a carga tributária para incentivar as compras. Na Bahia a GM detém 24% do mercado contra 213% da Fiat, 22,8% da Volks e 19,7% da Ford. Em Salvador, de janeiro a junho, comercializou 4.055 unidades e em 2002 chegou as 7.500, o que, considera Pinheiro, mostra a importância da região para a GMB.

     
 
Marcos Munhoz e Haroldo Rocha Júnior
(gerente regional de Operações na Bahia)
     

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