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  Salvador - Bahia - Brasil - Julho de 2003 - ANO VIII - Nº. 85
 
Coelba
Desvios do consumo de energia causam prejuízo de R$ 100 milhões mensaisl

As contas mensais na Bahia poderiam ser bastante reduzidas se não estivesse sendo registrado no estado um dos maiores índices de perdas de energia provocadas em boa parte por quadrilhas especializadas na adulteração dos medidores, ligações clandestinas e no religamento de consumidores que tiveram o fornecimento cortado.

Do total de R$ 100 milhões que a cada mês não entram nos cofres da Coelba, também cerca de R$ 27 milhões deixam de ser recolhidos em forma de ICMS, recursos que poderiam ser revertidos em projetos de fundo social ou investimentos em obras de infra-estrutura nas regiões mais carentes do estado, principalmente no semi-árido.

A revelação é do feirense Moisés Afonso Sales Filho, que acaba de assumir a presidência da Coelba, acumulando o posto com a Diretoria de Gestão de Ativos, além das atribuições inerentes à vice-presidência, e vê-se diante de um problema que atingiu a empresa com índice de 17,28% em 2002, reduzido para 15,07% em janeiro de 2002, mas que atingiu preocupantes 17,50% em outubro/novembro desse mesmo ano.

Uma conta de energia de R$ 100,00 é assim composta: R$ 43,00 em compra de energia e encargos setoriais (Chesf, RGR, CCC, taxa de Fiscalização da ANEEL, uso da rede e adicionais), R$ 26,00 para a Coelba (operação, manutenção, administração do serviço e remuneração do investimento) e R$ 31,00 direcionados para impostos e taxas (ICMS, IPVA, COFINS, PIS, IRPJ, CSL, IOF, CPMF, IPTU, Licenciamento Ambiental e Taxas diversas).

 

Moisés Afonso Sales Filho, presidente da Coelba
 


Mesmo enfrentando tais problemas, implementa o Plano de Investimentos pós-privatização, que atingiu R$ 1,2 bilhão no período 1998/2002, e sinaliza colocar mais R$ 1,4 bilhão até 2006, dos quais R$ 349 milhões já estão sendo aplicados este ano. Sales informa que em 2003 o Programa Luz no Campo atingirá 150 mil localidades, a região de Barreiras/Luiz Eduardo Magalhães ganhará um reforço de 40 MW com a ampliação de um sub-estação e construção de mais duas e 65 km de linhas de transmissão; o Extremo-Sul ganha uma sub-estação ao lado do Projeto Terravista, em Salvador foi concluída a sub-estação de Amaralina, está sendo duplicada a de São Cristóvão e em fase de conclusão a de Periperi.

A Coelba hoje apresenta endividamento zero ao resgatar as debêntures, com recursos de caixa pagará as operações financeiras e o empréstimo de R$ 1,5 bilhão contraído a longo prazo com o BNDES. O presidente revela que o consumo Residencial e Comercial está sendo recuperado para um patamar antes do racionamento e o Industrial, depois de cair 26% está sendo mantido pelo fornecimento ao Complexo da Ford e empresas calçadistas.


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