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Salvador - Bahia - Brasil - Fundado em 12 de Agosto de 1995
ANO XII - Nº. 128 - Julho de 2007

Aumento do número de vereadores provocará rombo no Orçamento.
Efeito cascata inchará as Câmaras Municipais com assessores, secretárias e gastos para manter os gabinetes.

A matéria já está pronta para ser votada e recebeu o apoio de todas as lideranças dos partidos, inclusive a do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, que anunciou a colocação em pauta após a aprovação da reforma política, prevista por ele para acontecer neste mês. A pressão da Frente dos Vereadores é fortíssima.

Proposta pelo deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), estabelece novas regras de cálculo para definir a quantidade de integrantes das câmaras de vereadores. O número de vereadores, por incrível que possa parecer, não é novidade no Brasil que já reduziu 8.468 cadeiras em abril de 2004 pela Resolução 21.702 do Tribunal Superior Eleitoral.

A fim de valer a partir das próximas eleições municipais, a PEC tem que ser aprovada até setembro, na Câmara e no Senado, em dois turnos em cada Casa, com o voto favorável de pelo menos três quintos dos parlamentares - 308 deputados e 49 senadores.

O Instituto Brasileiro de Municípios calcula que, se o substitutivo for aprovado, todas as regiões do país terão aumento de vereadores: Norte: 723 cadeiras a mais (17,2%); Sudeste: 2.649 (16,7%); Nordeste: 2.603 (15,7%); Sul: 198 e Centro-Oeste, 466 (14,7%). O Rio de Janeiro ficaria com mais 35,3% e o Tocantins, 3,5%.

No substitutivo apresentado pelo ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), o repasse de recursos do Executivo para o Legislativo Municipal será de 7,5% para municípios com população de até 100.000 habitantes; 6,5% para os com população entre 100.000 e 300.000 habs.; 5,5% com população entre 300.000 e 500.000 habs. e 4,5% os que têm acima de 500.000 habs.

Os presidentes da Frente dos Vereadores, deputado Mário Heringer (PDT-MG), e do Movimento de Defesa dos Vereadores (Modeve), Amaury Rodrigues dos Santos, de Novo Gama (GO), desenvolvem intenso lobby dentro do Congresso e junto aos vereadores e suplentes. Compõem a Comissão Especial da PEC os deputados Mário Heringer (presidente), Mauro Benevides, Maria do Carmo Lara, Neucimar Fraga, Fernando de Fabinho e Daniel Almeida.

No substitutivo a gradação vai de um máximo de 9 vereadores nos municípios de até 15.000 habitantes até o máximo de 55 vereadores para os acima de 8 milhões de habitantes. A PEC permite ao novo cálculo de vagas vigorar imediatamente, podendo acontecer, antes mesmo das eleições de 2008, a destituição de vereadores em municípios que perderão cadeiras e a nomeação de suplentes, casos em que as câmaras ganharão vagas.

Operação Navalha.
STJ exclui prefeito de Camaçari.

Licínio Soares Bastos, preso pela Polícia Federal na Operação Furacão por envolvimento com a máfia dos bingos no Brasil, cedeu as instalações de uma casa na localidade de Oliveira de Azeméis para servir como sede do comitê do candidato Cavaco Silva. A intermediação foi feita pelo seu patrício Anibal Araújo, que recebeu do presidente, em junho do ano passado, a importante Comenda da Ordem do Infante D. Henrique.

Toda a imprensa lusa abre farto noticiário sobre o assunto, adiantando que os socialistas do Brasil, escandalizados com a descoberta, não só pediram demissão do PS como também enviaram farta documentação ao Primeiro Ministro José Sócrates, denunciando manobras que envolveram, no País, muito dinheiro com passagens aéreas e ações de grande impacto. Documentos relativos a Antonio Almeida e Silva, candidato fora da Europa, desapareceram.


Prefeito Luiz Caetano .

Também outro português, Laurentino dos Santos, foi preso sob a acusação de ter negociado sentenças com magistrados em benefício do funcionamento de casas de jogos no Brasil. Licínio Bastos foi indicado para ocupar o posto de Cônsul Honorário de Portugal na cidade de Cabo Frio (RJ). Anibal Araújo tornou-se o candidato socialista nas legislativas de 2005, processo considerado ilícito pelo PS no Brasil, mas perdeu a eleição.

Anibal Araújo recebeu o apelido de Zé das Medalhas por contar com uma série de condecorações do governo português. Ele é proprietário dos jornais Voz de Azeméis, Tribuna Press, Notícias de Cambra e uma revista dirigida aos emigrantes. Como presidente da União da Imprensa Regional, organizou um congresso em Salvador, onde foi recebido pelas autoridades.

No rol dos escândalos um convênio firmado entre a cidade portuguesa Ovar e a prefeitura de João Pessoa (PB) que previa a construção de praças nas duas cidades, viagens de artistas, empresários, jornalistas e professores. Todas as despesas teriam sido bancadas por um grupo de empresários portugueses. Políticos ligados ao presidente Cavaco Silva rebatem as acusações dizendo que as sedes regionais não eram oficiais e que ele desconhecia o processo desenvolvido no Brasil.

OAB/BA explica:

A respeito das ações desenvolvidas pela polícia federal, no combate à corrupção em nosso País, e as declarações formuladas pelo Dr. Juiz Federal Durval Carneiro Neto:

A posição da OAB (federal e estadual) é clara, e do conhecimento de todos.

- reputar como avanço democrático o fato de que a investigação policial e a persecução criminal não mais se detenha diante do poder político e econômico, inexistindo estamentos sociais que estejam fora do seu alcance, ressalvando a necessidade imperiosa de que a ação do aparelho repressivo estatal se processe nos limites da legalidade;

 
Renangate


Mesmo recolhido no Hospital das Clínicas o senador Antônio Carlos Magalhães foi interlocutor dos seus colegas sobre a situação de Renan Calheiros. Recomendava prudência e caldo de galinha.

Belicoso
Aprovado na Câmara, aguarda votação do Senado um Projeto de Lei do deputado Nelson Pellegrino que estende o porte de armas a médicos peritos do INSS, Oficiais de Justiça, fiscais do trabalho e da receita.


Cacau preto
Inferno astral vive o prefeito de Ilhéus, Valderico Reis. Todas as entidades de classe comemoraram o 473º aniversário da cidade com faixas pretas, condenando medidas esdrúxulas de Sua Excelência: transferir a sede do governo para uma garagem abandonada da empresa Águia Branca, trocar o Palácio Paranaguá por um sítio da UESC, desativar a Biblioteca e o Arquivo Público, além de afrontar a Justiça derrubando os boxs comerciais no Terminal Urbano.


Ser ou não ser
Oposicionistas de nascimento, os partidos PCdoB e PSB ainda não se acomodaram com as delícias do Poder. Estão vivendo o eterno dilema de shakespeareano. Mas o Palácio de Ondina sinaliza que paciência tem seus limites.


Correndo atrás
Ao anunciar sua aposentadoria em agosto, o decano do Supremo Tribunal Federal, ministro Sepúlveda Pertence incendiou a corte. Será o 7º de 11 ministros que compõem o STF já indicados por Lula (Cesar Peluso, Carlos Ayres Britto, Joaquim Barbosa, Eros Grau, Enrique Lewandowski e Cármen Lúcia Antunes Rocha).


Coleguinha
As redações que se cuidem: Rosinha Garotinho é a nova diretora comercial do grupo O Diário (jornal O Diário e Radio Diário FM, em Campos) e ainda apresenta programa de entrevistas na TV Bandeirantes.


- ressaltar que a ação policial só será legítima se observados os postulados do estado democrático de direito, dentre os quais a presunção constitucional de inocência, o respeito à dignidade da pessoa humana e o direito à ampla defesa e ao contraditório;

- repudiar o cerceamento ao exercício da advocacia e ataques às prerrogativas profissionais, invocando o caráter de essencialidade do advogado à realização do ideal de justiça;

- rechaçar a conduta de autoridades policiais e judiciárias em episódios recentes, quando advogados tiveram violadas suas prerrogativas, ao serem impedidos de entrevistar-se pessoal e reservadamente com clientes presos e ter acesso a autos de inquérito policiais e de processos judiciais, arbitrariedades que configuram agressão a toda a advocacia e à sociedade brasileira;

- destacar a importância do Poder Judiciário para o equilíbrio do estado democrático de direito, condenado quaisquer medidas que objetivem diminuir a sua independência e autonomia.
Nossa posição: clara, direta, incisiva e induvidosa. Saul Quadros Filho, presidente.

 

Fidelidade partidária e financiamento público podem moralizar a política.
O sistema de voto em lista pré-ordenada pelos partidos políticos e um dos principais pontos do projeto de reforma política.

Foram 252 votos contrários, 181 favoráveis e 3 abstenções, rejeitando a lista fechada e a flexível. Com a decisão, o eleitor continuará votando diretamente no candidato de sua preferência, como é atualmente. Para muitos deputados, a recusa à lista provocará o fim da proposta do financiamento público de campanha e enterrará a reforma política.

Deputado Daniel Almeida (PCdoB-Ba) - É a favor da lista pré-ordenada para reforçar o programa e a ação eleitoral dos partidos políticos, pois acha que o seu estabelecimento traz automaticamente em seu bojo as exigências pertinentes à fidelidade partidária, ponto que o Partido defende. Acredita que não deve haver privilégios para os detentores de partidos e o posicionamento dos nomes dos candidatos na lista deve ser estabelecido a partir das convenções partidárias.

Acredita que o financiamento público de campanha, junto com a lista fechada, fidelidade partidária e a possibilidade de retorno da temida cláusula de barreiras, deve ser o eixo central dos debates. Defende o financiamento público como uma forma para acabar com a corrupção no cenário político brasileiro. "Nós do PCdoB defendemos o financiamento de campanha, pois com ele teríamos uma única fonte para o fundo de campanha, distribuída com igualdade de condições para o conjunto dos deputados e partidos. Isto facilitaria o controle financeiro das candidaturas e reduziria a corrupção, teríamos melhores condições de fiscalizar e balizar esta fonte geradora de denúncias, que é o financiamento privado, com a participação decisiva do poder econômico", conclui.

Valdenor Cardoso, presidente da Câmara de vereadores de Salvador - Sou absolutamente a favor da fidelidade partidária. Os parlamentares devem seguir rigorosamente os programas de atuação definidos pelo partido pelo qual se elegeram. Mas, para que isso ocorra, é essencial que o Congresso Nacional vote logo a reforma partidária e que as novas regras sejam estabelecidas com toda a clareza, especialmente no que se refere ao item fidelidade partidária.

Pelo processo atual, com as muitas brechas permitidas pela legislação, ganham os políticos que apenas estão preocupados em defender seus interesses pessoais, deixando os interesses dos partidos e dos eleitores que os elegeram em segundo plano. Mas se houver punições para os "infiéis", teremos uma classe política bem mais comprometida na defesa dos interesses da população em geral.

Perda de mandato - Em minha opinião não deve haver punição, com a perda de mandato, para os parlamentares que recentemente trocaram de partido. Como já frisei, os políticos que têm migrado de um partido a outro sem a menor cerimônia estão se aproveitando das brechas oferecidas pela atual legislação eleitoral. É uma atitude antiética, mas como puni-los se a lei permite que isso aconteça? De novo, defendo a tese de que o novo código eleitoral deve ser rigoroso e proíba definitivamente as trocas de partidos.


Vereador Valdenor Cardoso


Deputado Daniel Almeida

Voto Distrital - Sou favorável. Afinal, o eleitor elege alguém que considera de sua confiança e que na Câmara de Vereadores defenda os interesses de sua comunidade; que nas Assembléias Legislativas e no Congresso Nacional defenda os interesses de sua cidade ou região. Esta é uma discussão antiga no Brasil e até hoje não chegamos a um consenso.

Listas pré-ordenadas - Da forma que os partidos brasileiros estão organizados atualmente, dirigidos por uns poucos e que tudo decidem, sou contrário à adoção das listas pré-ordenadas de candidatos. No dia em que nossos partidos tiverem programas de atuação bem definidos, regras claras para a elaboração de listas de candidatos, com participação de seus filiados nas escolhas dos nomes, aí sim esta fórmula dará certo. Na atual conjuntura, com os partidos sendo gerenciados por um pequeno grupo de políticos, que se julgam os "donos das decisões", a lista apenas favorecerá candidatos que defendam as mesmas idéias de seus "líderes".

Augusto Aras,Advogado:

Em quais pontos a introdução da lista dos partidos influi na reforma política?

No dia 19 de junho, o Conselho Federal da OAB recebeu o dep. Ronaldo Caiado para discutir o sistema de lista fechada proposto na PL 1210, em curso no Câmara. Após os debates, com a intervenção do prof. Fábio Comparato, a OAB rejeitou a proposta por atentar contra o sufrágio universal. Das palavras do parlamentar pude constatar que a adoção do sistema de lista fechada poria termo às discussões acerca da fidelidade partidária, pois este instituto estaria situado no início da vida partidária e aqueloutro no seu final! No atual estágio da política brasileira, a discussão da lista fechada é mais uma dessas estratégias para impedir a moralização e o fortalecimento dos partidos políticos, pois sem a fidelidade partidária vivenciada pelo menos por duas eleições consecutivas, não teremos condições de estabelecer um novo paradigma calcado na democracia intrapartidária que haverá de se projetar externamente, até alcançar o Poder político em todas as suas dimensões.

Fortalece a tese da perda de mandatos para os parlamentares que trocam de partidos?

Doze partidos apresentaram um novo projeto de lei propondo a adoção de uma lista mista, o que já representa um avanço em relação à lista fechada, embora se trate de mais uma tentativa de queimar a imprescindível etapa de passarmos pela fidelidade partidária, nos moldes estabelecidos nos Arts. 14, § 3º, combinado com o art. 17, § 1º/CF, consoante já reconhecido pelo TSE.

Como ficarão os partidos?

Neste momento, o que vemos são sucessivas tentativas de frustrar a posição do TSE, no que toca à perda do mandato parlamentar por quem violar o princípio constitucional da fidelidade partidária, através de propostas que estabelecem sistemas de lista fechada, flexível e mista, ou que importem em aumentar o prazo de filiação partidária, dentre outras, restando aguardar a decisão do STF que, penso, em breve sairá.

No seu entendimento, quem, a rigor, não aceita a tese da perda de mandatos?

Primeiro, o grupo de parlamentares que trocaram de agremiação e temem perder os seus mandatos para os respectivos suplentes e, segundo, por aqueles que se encontram encastelados no Congresso Nacional e que sempre viram na migração partidária uma importante “moeda de troca”, tudo isso associado à nova agremiação que amealhou o maior número de parlamentares e, assim, pretende estabelecer um nova cabeça de ponte no parlamento brasileiro. Enfim, é não cortar na própria carne, mantendo as velhas práticas de manutenção no Poder.

O STF e o TSE demoram em apreciar este problema. Por quê?

O DEM, PDT e PPS impetraram mandados de segurança, objetivando as declarações de perda dos mandatos ora exercidos pelos eleitos por cada uma dessas agremiações e que imotivadamente migraram para outros partidos, pois pretendem ver empossados os respectivos suplentes que integram as suas hostes. Com o julgamento do STF, em breve teremos uma solução definitiva para a discussão da perda do mandato parlamentar, por violação do princípio constitucional da fidelidade partidária, isto sem submissão legislativa, pois, segundo o maior intérprete da CF, não se admite alteração de Direitos Políticos (cláusula pétrea). De qualquer forma, a demora no julgamento resulta da observância de princípios constitucionais processuais, a exemplo da formação da relação processual, com a citação de todos os litisconsortes passivos, ouvindo-se, em seguida, o Procurador-Geral da República.

Quanto ao TSE, convém lembrar que ali se encontram pendentes de julgamento duas consultas: a primeira que indaga se o senador pode perder o mandato em caso de infidelidade partidária e, a segunda, se esta regra se aplica aos chefes do Executivo (prefeitos, governadores e presidente da República), já havendo parecer da Assessoria do TSE no sentido da cassação. Para o fortalecimento da nossa democracia devemos ter, também, paciência!


Advogado Augusto Aras

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