Lula tem que aproveitar a sua aprovação
nas urnas e o apoio do Congresso para implementar as reformas que
darão sustentabilidade não só ao seu governo
como também proporcionará condições
ao Brasil para manter sua estabilidade, investir na infraestrutura
e corrigir as desigualdades acentuadas por Fernando Henrique Cardoso
em oito anos como Presidente.
Respaldado por mais de 400.000 votos que o levaram a Câmara
Federal, o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto assim analisa
o panorama político, econômico e administrativo em
que o país atravessa, advertindo que não se pode dar
ao luxo de esperar a hora acontecer e sim unir o desejo da sociedade
ao ânimo dos parlamentares para aprovar as reformas da Previdência
e Tributária. Em 2004 já será tarde, pois as
eleições municipais irão tumultuar o processo,
impedindo-o de ser concretizado.
Acredita que tanto o presidente Lula, seus ministros e os políticos
não podem frustrar a expectativa do povo que deseja com certa
impaciência ver concretizadas as promessas de mudanças
anunciadas em palanque, avalizadas em forma dos milhões de
votos sufragados nas urnas, um recado da esperança que derrotou
o medo de ver sua pátria condenada ao caos. |
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Nos contatos com colegas de outros partidos, mesmo aqueles que não
apoiaram o candidato do PT, ACM Neto tem sentido em todos o desejo
de apoiar as medidas - sejam elas duras ou não - para que
recoloque o país no caminho da governabilidade. Isto significa
que cada dia é precioso, para tanto deve o governo encaminhar,
no mais tardar até fins de abril, o projeto de reforma da
Previdência, iniciando com o PL-9, depois abordando com cautela
os itens de maior discussão dentro da sociedade, encontrando
formas de não ofender os direitos adquiridos, e criar mecanismos
precisos para evitar o crescimento do déficit gerado pelas
aposentadorias frente à arrecadação real.
Diz que o PFL sempre defendeu um Salário Mínimo igual
a US$ 100, mas reconhece a impossibilidade de se chegar no momento
a este número, afirmando que não votará no
valor de R$ 234, acreditando poder chegar a um consenso entre R$
240 e R$ 250. O seu partido, com a experiência de duas décadas
tem programas de governo já estruturados, podendo ser consultado
a qualquer tempo. Também se posiciona contra a manutenção
da atual alíquota do Imposto de Renda, que onera e pune o
contribuinte.
Defende posições rígidas do Parlamento frente
a alguns de seus membros envolvidos em acusações de
envolvimento com traficantes, desvios de recursos públicos,
salientando que antes de fazer a reforma política tem, que
fazer a reforma dos políticos.
Novo governo - Observa que muitas decisões
de Lula na formação da equipe e estruturação
da máquina administrativa foram acertadas e outras equivocadas,
citando como exemplo a criação de Secretarias que
estão provocando dúvidas e disputas com os ministérios,
levando aos inevitáveis cortes nos orçamentos de ambos,
provocando assim a sua incapacidade de até mesmo existirem.
Não esconde que a nomeação de José Eduardo
Dutra para presidir a Petrobras deixou muito a desejar, não
por ser um político, mas pelo fato de que o cargo, dada à
sua importância, merecia ser ocupado por alguém com
cancha internacional e mais afeito aos negócios da maior
empresa da América Latina. Lamentou o fato de ainda não
terem sido nomeados diretores de estatais importantes, a exemplo
do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste
e outras tantas que compõem o universo decisório em
áreas do interesse do país, principalmente para o
Nordeste. Considera o programa Fome Zero positivo em sua essência
— é preciso reduzir o índice de pobreza —
mas exige certo cuidado para que não seja um jogo de cena
e pirotécnico, sendo ainda cedo para julgá-lo, pois
o tempo é curto para fazer avaliações. Acha
importante ouvir a sociedade e conhecer outros projetos existentes
no país, citando o da Bahia, comandado pelo padre Clodoveo
Piazza.
Bahia - Ressalta os projetos que o governador
Paulo Souto anunciou poucos dias à frente do Estado, sem
que tenham sido promessas de campanha, destacando o Primeiro Emprego,
+ Vida, incentivos às micro empresas e ordens de serviços
para obras de infraestrutura. Quanto a Salvador, elogia o trabalho
do prefeito Antonio Imbassahy no sentido de dotar a cidade de mais
empresas de serviços, novas indústrias e apoio ao
comércio, fatores estes que o tem colocado como o melhor
administrador municipal do Brasil. Sobre a eleição
em Salvador, o seu grupo tem cinco ou seis nomes à altura
da disputa, que, em 2004, terá a oposição como
governo e Lula Presidente. |