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Momentos | Saúde
  Salvador - Bahia - Brasil - Dezembro de 2002 - ANO VIII - Nº. 78
 
Câncer de pele
Médico brasileiro testa em Miami, com sucesso, nova vacina em seres humanos

Considerada "esperançosa", uma nova vacina contra o câncer, ainda não aprovada pelo governo, está sendo testada com sucesso há mais de um ano e os resultados dos estudos clínicos conduzidos por médicos da Flórida (USA) serão publicados brevemente na revista especializada Seminars in Oncology, e estudos clínicos se estenderão a todo o território dos Estados Unidos.

O diretor do Programa de Melanoma do Centro de Cancerologia e co-diretor da Divisão de Hematologia e Cancerologia do Mount Sinai Medical Center de Miami Beach, Dr. José Lutzky, professor-clínico assistente da Escola de Medicina da Universidade de Miami, médico brasileiro do Rio Grande do Sul, especialista em oncologia e hematologia, explica que entre os diferentes tipos de vacina testados, uma delas, chamada antiidiótipo (um anticorpo dirigido contra um determinante idiotípico de um outro anticorpo), foi estudada por cinco anos. O médico refere-se ao caso de dois pacientes jovens com melanoma metastático (tumor originado na pele que sofre metástase - a transferência da doença de uma parte do organismo para outra não diretamente conectada a ela) que foram tratados com a vacina. Em um deles, o processo de metástase levou o câncer para o cérebro e, no outro, para o baço. "Mas houve resposta ao tratamento e ambos estão vivos ha mais de quatro anos.

Outra vacina também em fase de estudos clínicos é a denominada "oncófaga" (que se alimenta de tumor), que se baseia em uma técnica conhecida como "tecnologia da proteína de choque térmico, já existindo uma lista grande de pacientes que desejam participar desse estudo, o que, segundo o médico, ainda é muito cedo para se prognosticar resultados sobre ele. Uma das diferenças fundamentais entre as duas vacinas é a de que, no caso da antiidiótipo, não é necessário extrair tecido do tumor do paciente para produzir a vacina, enquanto isso se torna necessário, no caso da vacina oncófaga.


Dr. José Lutzky


Cuidados -
O estudo clínico em andamento restringe a participação de pessoas que já se submeteram à cirurgia para remoção de tumor. Entretanto, são candidatos ao estudo pacientes que tiveram tumores de pele removidos cirurgicamente, mas que têm tumor em qualquer órgão devido à metástase. Na metástase, as células cancerosas que se transferem para outros órgãos são as mesmas do tumor original - nesse caso, um melanoma. Outra restrição é a de que o tumor deve, pelo menos, pesar sete gramas e ter dois centímetros quadrados, de forma que seja possível extrair dele tecido suficiente para produzir a vacina, esclarece o médico.

De acordo com o Dr. Lutzky, as vacinas não atacam diretamente o tumor, fazem com que o sistema imunológico recrute células para executar essa tarefa, constituindo a melhor forma de tratar da doença, porque a imunização, uma vez administrada a uma pessoa, torna-se uma defesa permanente do organismo e dispensa o uso de medicamentos. Alguns pacientes latino-americanos que chegam à Miami pela manhã, tomam a vacina e pegam um avião de volta para seus países à noite, pois as vacinas são inicialmente administradas uma vez por mês e, depois, a cada dois meses, durante o tratamento. Elas têm sido aplicadas apenas em pacientes que contraíram a doença, e para se chegar a uma vacina preventiva do câncer para toda a população, ainda vai levar bastante tempo, adiantando que antes de uma vacina poder ser administrada ao público em geral, é preciso comprovar que é segura e eficaz para os pacientes que já desenvolveram a doença.

A busca de médicos e cientistas por um tratamento mais eficaz para o câncer se justifica em dois fatos: a doença tornou-se mais comum e os tratamentos tradicionais são ineficazes, e de acordo com ele o melanoma é uma epidemia, pois a incidência desse tipo de câncer vem aumentando em todo o mundo na última década e ainda não há indicações de que o número de novos casos possa diminuir no futuro. Nos Estados Unidos, o melanoma é o quinto tipo de câncer mais comum entre os homens e o sexto, entre mulheres. Na América Latina, é difícil de se conseguir dados estatísticos da doença e no Brasil, não dispomos de estatísticas confiáveis e sabemos que muitos casos sequer são registrados", declara o Dr. Lutzky.

O médico considera que a quimioterapia não é muito eficaz no tratamento do melanoma, a grande maioria dos pacientes não responde bem a esse tipo de terapia, preferindo dedicar aos estudos clínicos relacionados ao sistema imunológico porque sabe-se há muito tempo que ele exerce papel fundamental no combate ao melanoma e outros tipos de câncer; á medida que descobre-se novas formas de estimular o sistema imunológico, chega-se mais perto do controle da doença.

Na área da imunoterapia, as pesquisas científicas caminham em duas outras direções, diversas daquelas das vacinas e os pesquisadores buscam formas de fazer com que o próprio organismo do indivíduo trate de combater o melanoma através de medicamentos fortificadores do sistema imunológico ou de injeção de anticorpos.

Hospital da Bahia
Começará a funcionar em dezembro de 2003

Salvador contará com mais 180 novos leitos e serviços especializados na área de diagnóstico e terapia, com o funcionamento do Hospital da Bahia, que acrescerá mais de 2.500 postos de trabalhos à capital do estado, representando aporte de recursos da ordem de US$ 55 milhões. O canteiro de obras, na Av. Prof. Magalhães Neto, bairro da Pituba, atualmente registra 336 trabalhadores, sendo 280 na construção civil, 40 na área logística, 15 em consultoria médica e 1 na superintendência do estabelecimento). No primeiro ano absorverá 955 empregos diretos e 1.623 empregos indiretos, nas mais diversas áreas hospitalares.

Apesar da instituição necessitar de trabalhadores especializados para operar os equipamentos de tecnologia avançada que serão instalados no Hospital, o diretor de finanças do Grupo Fator - responsável pela construção da estrutura física do prédio - Francisco Augusto Prata Ramos, destaca que a preferência da empresa é utilizar a mão-de-obra local que necessitará de cursos de atualização para o exercício de determinadas funções. Enquanto os profissionais da área de informática e alimentação passarão por treinamentos, ministrados por especialistas de outros estados e países, os serviços das áreas de limpeza, segurança e lavanderia poderão ser realizados por profissionais do mercado local.

 
Jadelson Andrade, diretor-médico do Hospital da
Bahia


Privilegiar profissionais baianos para ocupar o corpo médico do hospital é a intenção do Grupo que iniciou contatos com médicos que saíram para fazer residência em outros estados e em centros de saúde com tecnologia avançada. A economia baiana também receberá incremento positivos nas vendas de gêneros alimentícios e produtos hospitalares, pois a intenção é comprar alimentos e suprimentos no comércio, privilegiando fornecedores e representantes regionais de produtos hospitalares, sendo a melhor opção logística e que beneficiará a economia local.

Os procedimentos quanto ao posicionamento do conselho médico, gestão de ações, projetos e funcionamento de centros de estudo também já foram analisados pela instituição que terá como superintendente médico, o cardiologista baiano, Jadelson Andrade.

Grande porte - A colocação do ponto mais alto da estrutura do prédio do Hospital da Bahia foi comemorada com a Festa da Cumeeira que reuniu médicos e autoridades da sociedade baiana, no dia 5 de dezembro, no saguão do empreendimento, projetado para prestar um serviço de qualidade com tecnologia de ponta aos seus clientes.


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