O transplante de células progenitoras hematopéicas, também conhecido como transplante de medula óssea (TMO), é um procedimento terapêutico convencional e fundamental para o tratamento de doenças hematológicas, oncológicas e imunológicas. Caracteriza-se pela eliminação dos sistemas hematopéico e imunológico do indivíduo por quimioterapia, associado ou não à radiação, com subseqüente substituição das células-tronco de outro indivíduo ou previamente coletadas do próprio paciente. A indicação como opção terapêutica é complexa e depende de fatores como gravidade, subtipo e status da doença, bem como idade e disponibilidade do doador. A concentração de centros aptos a tais procedimentos está nas regiões sul e sudeste, e, agora, Recife se prepara para efetuar estes procedimentos. Com o avanço dos estudos, doenças neuromusculares como Alzheimer e Parkinson podem ter alternativas de cura, havendo a possibilidade das células-tronco resolverem deficiências, como a falta de produção da insulina, no caso da diabete. Em 2000, informa Dr. Ronald Palotta, médico hematologista, especialista em medula óssea e terapia celular, foi criado o Centro de Transplante de Medula Óssea (CTMO) através de convênio entre a Secretaria da Saúde do Estado e o Hospital Português, visando implantar o transplante como opção terapêutica na Bahia e reduzir os gastos públicos. Desde novembro desse ano, quando foi publicada a portaria reguladora da atividade, 41 transplantes foram feitos e, desses, 35 financiados pelo SUS. O HP é o único serviço na Bahia credenciado junto ao Sistema Nacional de Transplantes para realizar o procedimento, cabendo à Fundação Hemoba e a Sesab, a responsabilidade pelo hospital-dia, viabilizando os transplantes pelo SUS e garantindo o acompanhamento pré e pós-cirurgia. O Ministério da Saúde determinou ao transplantador arcar com todos os procedimentos, mas, por problemas burocráticos e funcionais, assim, o processo estacionou até hoje. A Bahia foi o primeiro estado do Norte e Nordeste a realizar transplante de medula óssea. Em 2002, a Sesab inaugurou o ambulatório e hospital-dia do CTMO, nas instalações do Centro de Atenção à Saúde Professor José Maria de Magalhães Netto, próximo ao Iguatemi. No local, pacientes que precisam ser submetidos a transplante de medula recebem o acompanhamento necessário. Existem, no Brasil, cerca de 1.200 esperando por um transplante de medula. Palotta revela que a chance de encontrar um doador compatível na família está em torno de 30%, e no caso de doadores voluntários esta é de 0,01%. "Como a chance de compatibilidade fora da família é pequena, é preciso um número elevado de doadores voluntários e, para doar a medula óssea é necessário ter entre 18 e 55 anos e estar em bom estado de saúde. Os pacientes que precisam de um transplante de medula óssea têm cerca de 30% de probabilidade de encontrar um doador compatível na família, em geral irmão. No caso de doadores voluntários não familiares, a chance de compatibilidade é de 0,01%". Como a chance de compatibilidade fora da família é pequena, é preciso um número elevado de doadores voluntários, daí a importância do banco de doadores e, em paralelo, campanhas de esclarecimento para estimular as doações. Para doar a medula óssea, é necessário ter entre 18 e 55 anos e estar em bom estado de saúde. Diante da situação, Palotta alerta que é preciso pensar no paciente e não deixá-lo sofrer: não se pode atrapalhar a saúde. Decisões políticas e administrativas têm que ser tomadas a fim de evitar o caos, pois a população está abandonada. Foram feitos 137 transplantes no HP, dos quais 63 estão vivos, demonstrando uma sobrevida global e de boa casuística. Denúncias estão sendo feitas no Ministério Público e a idéia de transferir o processo para o âmbito da Universidade Federal da Bahia é altamente problemática. A fila de necessitados cresce, lamenta... |