Assusta a cadeia petroquímica brasileira, acossada por uma alta no custo da nafta, matéria-prima básica das empresas, e que ameaça chegar à casa de US$ 700 a tonelada este ano. Em janeiro, o preço praticado era de US$ 506, subindo para US$ 650 em julho e US$ 688 em meados deste mês.
Os reflexos bateram forte nos resultados anunciados pela petroquímica Braskem ao reportar um prejuízo de R$ 54 milhões no segundo trimestre de 2006, contrastando com o lucro líquido de R$ 437 milhões registrados no mesmo período do ano passado. Além da nafta, o custo operacional foi afetado pela valorização do real que de um lado afeta a venda externa e do outro, as importações.
Aumentar os ganhos com realinhamento dos preços em torno de 10% a cada bimestre para o consumo interno tem sido uma das medidas tomadas pela empresa, porém o mercado de terceira geração se ressente e reduz as compras do polietileno de baixa densidade, polipropileno e PVC, não absorvendo os repasses. Os 6 primeiros meses de 2006 estão sendo considerados o pior período das petroquímicas nos últimos 3 anos.
José Carlos Grubisich, presidente da Braskem, diz que o custo dos produtos vendidos cresceu 9%, para R$ 2,5 bilhões, em comparação com igual período do ano passado, e as despesas gerais e administrativas aumentaram em 5,55% (R$ 126 milhões). Por sua vez, as receitas líquidas somaram R$ 2,8 bilhões - queda de 6% em relação aos R$ 3 bilhões registrados no mesmo trimestre de 2005.
No período a companhia exportou US$ 348 milhões, incrementando em 6% a receita líquida - US$ 2,5 bilhões, resultando no lucro líquido de R$ 68 milhões no semestre. A entrada em operação de um novo sistema integrado de gestão em outubro próximo, dentro do projeto Fórmula Braskem, trará novas oportunidades de ganhos de eficiência, que deverão ter impacto pleno nos resultados da companhia a partir de 2007.
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José Carlos Grubisich |