| Dentre os partidos, o PMDB, e na relação de estados, São Paulo, encabeçam a incômoda posição de terem as maiores bancadas com processos correndo junto ao Superior Tribunal Federal. Por incrível que pareça, Alagoas está fora da relação. As acusações que pesam sobre os senadores e deputados compreendem desvios de verbas, má aplicação do dinheiro público, sequestro, homicídio, aborto, crime contra a honra, crime de imprensa, gestão fraudulenta de empresa financeira, lesões corporais e outras. Dois senadores e dois deputados federais baianos já apresentaram suas defesas e aguardam a decisão dos ministros do STF.
Divulgado pela publicação Congresso em Foco, o mapa das denúncias foi levantado pelos jornalistas Edson Sardinha e Rafael Godoi após uma exaustiva e minuciosa pesquisa nos anais do STF, do Senado e da Câmara Federal. As diversas listas apresentadas apontam os envolvidos nas duas Casas, por Partidos, Estados e ainda destacando aqueles que oferecem o lastro de sustentação da administração Luiz Inácio Lula da Silva. A maioria dos acusados foi ouvida e apresentou as defesas já encaminhadas ao STF através de seus advogados.

Estão fora da relação representantes de cinco partidos com assento no Congresso Nacional - PPS, PCdoB, PSol (ainda em fase de reconhecimento), PSL e o PSC - enquanto que o PMDB registra 28 dos seus membros, dos quais nove deles já deixaram a condição de indiciados e respondem, como réus, aos processos. O PT de Lula - 4 investigados - não está sozinho neste drama: o vice José de Alencar (PL.) e o deputado Severino Cavalcanti (PP) convivem com o peso de mais de 30% dos integrantes de suas agremiações nas barras da lei. Evitando envolver-se com os casos e considerando-os pessoais, os Partidos esquivaram-se de responder, apontando os acusados como responsáveis pelos seus atos.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também tem ciência de que o seu Partido - PSDB - conta com o maior número de senadores e deputados envolvidos com processos e o PFL de Jorge Bornhausen contabiliza outros 9. Dos 73 congressistas paulistas, 14 têm pendência na Justiça, porém os de Tocantins, proporcionalmente, com 45,4%, envolvendo 11 deputados e senadores, representam o maior grupo investigado dentro do STF, ou seja, um em cada quatro parlamentares da região (23,2%). Em seguida vêm Brasília, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul com 15 dos seus 53 congressistas emaranhados em processos.
Sempre acusado pela imprensa do sul como nepotista e comprometido em escândalos de toda natureza, o Nordeste tira de letra e aparece em último lugar no número de deputados e senadores sob investigação: apenas 12,3% de sua grande e aguerrida bancada é citada em meio aos 20 senadores e 82 deputados. O suplente de senador Mário Calixto (PMDB-RO) é um dos recordistas em investigações, dividindo sua posição com o atual ministro da Previdência Romero Jucá (PMDB-RR). Atualmente ações envolvem 185 denúncias contra deputados e senadores, sendo que em 34 casos, 23 deles são réus, pois o STF encontrou elementos suficientes para determinar a abertura de processo e enquadrá-los. Algumas das acusações são eminentemente de caráter regionalista, tipo crime de imprensa, calúnia e difamação.
Godói e Sardinha chegaram à conclusão de que 20 dos 81 senadores - ou seja, 24,7% deles, em 39 processos - ainda estão se explicando no STF. Na Câmara, 82 dos 513 deputados (16%) aparecem em 146 investigações remetidas pelo Ministério Público Federal. Acusações de desvio de recursos do SUS e Merenda Escolar totalizam 46 ocorrências que implicam 13 parlamentares, enquanto que 9 são suspeitos de peculato e 4 por corrupção passiva.
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