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Salvador - Bahia - Brasil - Abril de 2007 - ANO XII - Nº. 125
 

Construtora não teme concorrência.
Meta do Grupo para 2007 é consolidar o índice anual de crescimento em 30%.

Sessenta e um anos após ter sido criada, é a maior construtora da América Latina e a 6ª do mundo na classificação " transporte de massa e ferrovias", a CNO é um orgulho não só do Brasil, mas principalmente da Bahia onde nasceu e até hoje mantém a sua sede principal.

Integrante de uma holding com negócios nas áreas da petroquímica (Braskem), engenharia e construção, seguros, previdência, agropecuária e uma fundação com larga atuação no social, a CNO presta serviços integrados de engenharia, suprimento, construção, montagem e gerenciamento de obras civis, industriais e de tecnologia especial.

Desenvolve empreendimentos imobiliários e participa de projetos especiais nos setores de energia, óleo e gás, infra-estrutura, serviços públicos e mineração. Destacam-se obras de usinas termoelétricas e siderúrgicas, centrais nucleares e petroquímicas, refinarias, metrôs, rodovias, ferrovias, pontes, portos e aeroportos, equipamentos para a indústria de petróleo e gás, mineração, saneamento básico e irrigação. Na área imobiliária, complexos residenciais e comerciais, destinos turísticos e de lazer, dentre eles, o Costa de Sauípe.

Já na quarta geração da família que desenvolveu a famosa Tecnologia Empresarial Odebrecht (TEO) considerada um referencial filosófico de atuação que permite, há décadas, um crescimento de forma sustentável e a formação de gerações de técnicos e operários, o Grupo colocou o Brasil em posição de destaque no desenvolvimento.

Com mais de 30.000 funcionários, faturamento de US$ 3 bilhões em 2006 e um fundo de US$ 10 bilhões para investimentos nos próximos 10 anos, a Construtora Norberto Odebrecht está sob o comando de Marcelo, 37 anos, casado, pai de 3 meninas, filho de Emílio, neto de Norberto e bisneto de Emil, o engenheiro que veio da Prússia desenvolver a pátria que o recebeu nos idos de 1856. Entre as suas diversas viagens pelo mundo e as múltiplas obrigações, Marcelo Odebrecht concedeu esta entrevista ao Jornal Bahia Negócios:

BN - Qual o posicionamento da CNO no mercado internacional?

MO - A Construtora Norberto Odebrecht é hoje a maior empresa do setor na América Latina, sendo também a maior exportadora brasileira de bens e serviços. Em 2006, suas exportações de bens e serviços chegaram a US$ 430 milhões, enquanto sua receita com serviços executados no exterior somou US$ 2,27 bilhões, 12% a mais do que em 2005. Atua em 18 países, entre eles Estados Unidos, Portugal, México, Panamá, República Dominicana, Equador, Venezuela, Peru, Bolívia, Argentina, Angola, Emirados Árabes Unidos e Djibuti.

Nossa empresa, segundo o ranking anual da revista norte-americana ENR - Engineering News-Record, colocou-se em 2006 na 21ª posição entre as maiores construtoras internacionais. Conquistou também o primeiro lugar (pelo segundo ano consecutivo) nos setores de construção de hidrelétricas, de tratamento de água e dessalinização, de saneamento básico e de linhas de transmissão subaquáticas e aquedutos.

BN - A anunciada presença futura de concorrentes asiáticos e europeus dentro do Brasil preocupa o segmento nacional?
MO - Nossa empresa opera no mercado mundial desde 1979, quando iniciou as obras de uma hidrelétrica no Peru. Desde então, em todos os países em que estabeleceu bases sempre enfrentou a concorrência de construtoras locais e internacionais, principalmente norte-americanas, européias e asiáticas. Não se podem ganhar todas, mas temos em cada país equipes preparadas para conquistar contratos mesmo em meio a mais acirrada concorrência.

BN - Quais os contratos internacionais de maior importância técnica e financeira da CNO no Brasil e Exterior?
MO - Todos os contratos, desde o menor até o maior, são importantes para a Odebrecht. Uma pequena obra executada de acordo com as mais modernas técnicas de engenharia e com uma solução financeira que tenha agradado ao cliente abre caminho para novas empreitadas, maiores e mais sofisticadas.

Algumas de nossas principais obras são os terminais Norte e Sul do Aeroporto Internacional de Miami, as hidrelétricas de Palomino e Pinalito (República Dominicana), um novo trecho da Linha Vermelha do Metrô de Lisboa, a terceira ponte sobre o Rio Tejo (Portugal), os gasodutos Albanesi e Cammesa (Argentina), os projetos Águas de Luanda, Águas de Benguela e a segunda fase da Hidrelétrica de Capanda (Angola), o Sistema de Irrigação de El Dilúvio (Venezuela), as Hidrelétricas de San Francisco e Baba (Equador),
Também o porto de Melchorita e dois sistemas viários no norte e no sul do Peru, ambos ligando o Brasil a portos do Pacífico daquele país (contratados em forma de PPPs - Parcerias Público-Privadas), a rodovia El Carmen-Arroyo Concepción (Bolívia), segunda pista do Aeroporto Internacional de Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos), o Terminal Marítimo da Cidade de Djibuti (Djibuti, Norte da África) e o Projeto de Irrigação Remigio Rojas (Panamá) entre outras.

No Brasil: as Linhas 4 e 2 do Metrô de São Paulo, a Plataforma de Rembombeio Autônoma (PRA-1), diversos projetos imobiliários em São Paulo, a modernização do Maracanã para atender à Copa do Mundo de 2014, do Maracanãzinho, a construção do Estádio João Havelange (estas para os Jogos Panamericanos), a modernização do Aeroporto Santos Dumont (RJ), as Pequenas Centrais Hidrelétricas de Serra da Prata e projetos imobiliários em Salvador e Sauípe (BA).

Executamos obras de infra-estrutura para a Cia. Vale do Rio Doce e a segunda etapa da Hidrelétrica de Tucuruí (Pará), obras portuárias da Vale, no Maranhão, a Hidrelétrica de São Salvador, em Tocantins, Modernização do Aeroporto de Goiânia (GO), os sistemas de esgotamento sanitário em Salvador (inclusive com a construção de um novo emissário submarino), Rio Claro e Campinas (SP) e Rio das Ostras (RJ), um novo cais no Porto de Suape e a modernização da BR-101 (Pernambuco), o trecho 3 do Sistema Adutor Castanhão (Ceará) e outras.

BN - O volume de obras em infra-estrutura que está em projeto para o mercado asiático e norte-americano pode ser atendido a contento pelas dealers do mercado? E particularmente a CNO?
MO - No que diz respeito à CNO, sim.

BN - Como a CNO analisa as linhas fundamentais do PAC (viabilidade dos projetos, certeza da sua realização, etc.)?
MO - A grande maioria dos projetos incluídos no Programa de Aceleração do Crescimento são viáveis e necessários. Acredito que a maior parte deles - senão todos, graças à disposição demonstrada pelo Presidente Lula - será efetivamente executada, o que vai significar mais empregos, maior renda para as empresas envolvidas - inclusive as fornecedoras de equipamentos e matérias-primas. E uma melhoria na infra-estrutura do país, passando pelos setores de transporte, energia, saneamento e abastecimento.

BN - A comentada esquerdização dos governos sul-americanos causa preocupações quanto aos atuais e novos contratos?
MO - Estamos há 28 anos atuando no exterior e em diversos países em que trabalhamos ao longo deste tempo convivemos com governos de direita, de esquerda e de centro. Com todos eles, sempre mantivemos um relacionamento profissional, respeitando as suas respectivas posições ideológicas, sem nenhum tipo de interferência de caráter político. Nosso objetivo sempre foi trabalhar para o país, para as comunidades em que atuamos, independentemente do matiz de cada governante, ainda que muitos de nossos clientes sejam empresas ou estatais.

BN - Finalmente, quais as metas de crescimento da CNO para 2007?
MO - Ainda não é possível assegurar o quanto à empresa crescerá este ano, mas vários indicadores, inclusive nossa carteira de pedidos no Brasil e no exterior, já nos permitem estimar outro bom resultado no final deste exercício. Temos crescido a uma média anual de 30% nos últimos quatro anos. Esperamos ao menos repetir este número em 2007. O Brasil deverá ser um mercado muito especial, na medida em que se materializem os projetos do PAC e as PPPs.


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