Enviar Conteúdo Imprimir

Novo sistema viário de transportes coletivos de Salvador poderá ser implantado em 3 anos

Horacio Brasil
Horacio Brasil




















O MasterPlan projeta a cidade para atender as exigências de mobilização na copo de 2010

O projeto Bus Rapid Transit (BRT) compõe uma rede com 69 km de extensão em sua primeira etapa e que prevê um tratamento exclusivo para a circulação dos ônibus em relação ao trânsito geral, devidamente articulado com os outros modais de transporte coletivo da cidade, através das Estações Metroviárias e Terminais de Integração.

 Estão previstas a implantação de novos corredores aproveitando o canteiro central das Avenidas Vasco da Gama e Paralela, construção de estações de acesso, viadutos, passarelas, além de intervenções em vias secundárias. Foram analisados 117 km da cidade, desde o Centro Antigo, até as regiões do Iguatemi, Paralela, Barros Reis, Vasco da Gama e Orla.

Horácio Brasil, Diretor-Executivo do SETPS, explica que o BRT, ou Sistema de Transporte Rápido, é uma nova modalidade de transporte coletivo urbano, no qual o ônibus opera com eficiência máxima. Criado há 40 anos em Curitiba por uma equipe chefiada por Jaime Lerner, hoje está em operação ou projetados em mais de 140 cidades do mundo, a exemplo de Los Angeles, Londres, Bogotá, Guadalajara, Johanesburgo, Cidade do Cabo, México, Lima, Nova York, Dar ES Salam, Buenos Aires, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo.

 O sistema opera ônibus em faixas exclusivas e segregadas do restante do tráfego, com prioridade em cruzamentos, são monitorados em tempo real (identificação de posicionamento através de GPS) e utilizam a bilhetagem eletrônica. Os pontos de parada e terminais de integração utilizam rampas, facilitando o acesso aos ônibus em sua maioria biarticulados (160 a 270 lugares) com embarque e desembarque no mesmo nível dos veículos com as plataformas das estações.

O estudo funcional é da empresa TTC Engenharia de Tráfego e de Transportes, com a colaboração do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Salvador (SETPS) e a participação de técnicos da Secretaria de Infraestrutura e Transportes da Prefeitura (SETIN). A ECLA levantou a topografia e a geotécnica, a Global realizou a contagem de tráfego, a Sinergia fez o estudo de tráfego e a JBR executa o projeto básico.

 Com um custo mais baixo do que outros sistemas, a implantação do BRT é estimada em US$ 5 milhões/km para 40.000 passageiros/hora, enquanto a solução do VLP (Veículo Leve sobre Pneus) representa US$ 15 milhões/km para 30.000 pass/hora e o do Metrô, para 60.000 pass/hora atinge o preço de US$ 60 milhões/km.

 Brasil adianta que o estudo "Mobilidade em Salvador - A Visão do cidadão usuário sobre os transportes públicos coletivos", patrocinado pelas 18 empresas integrantes do SETPS, levantou algumas características do setor, hoje com uma frota de 2.601 ônibus e 4,9 anos de idade média. São realizadas 505.000 viagens/mês em 498 linhas, gerando 13.000 empregos diretos. A média de passageiros transportados mensalmente chega a 16,3 milhões, dos quais 57% pagam a tarifa inteira, 19% pagam meia tarifa e 24% não pagam.

 Nas entrevistas espontâneas feitas com usuários de ônibus em Salvador, 66,2% condenam o tempo de espera no ponto; 40,7% a superlotação no horário de pico; 11,2% a pouca opção de linhas; 7,5% os engarrafamentos e 3,2% o itinerário longo com percurso cheio de voltas. Nas estimuladas, problemas graves são a segurança, passes falsos, ônibus cheios e o tempo de espera.Também reclacongestionamentos frequentes; excesso de motoboys, quebramolas, semáforos e ônibus, além da falta de vias e viadutos.

No caso de pedestres e ciclistas: ausência de calçadas, que são estreitas, mal mantidas, ocupadas por camelôs, bancas de revistas, postes e orelhões; falta de passarelas e semáforos; inexistência de pavimento de qualidade nos bairros periféricos; poucas e inseguras faixas de pedestres e ausência de ciclovias e bicicletários. Os motivos de viagens são por Educação (33%), Trabalho (30%), Serviços (20%), Negócios (17%) e Lazer (10%).

Para a Operação da Mobilidade são sugeridos: medição frequente da satisfação do usuário; empresas operadoras com certificação de qualidade; recursos humanos bem selecionados, motivados e reciclados; veículos acessíveis, adequados ao sistema viário e ao nível de demanda; bilhetagem eletrônica e a utilização de sistemas inteligentes de controle operacional. No caso da Infraestrutura: a necessidade de vias hierarquizadas, bem mantidas e bem gerenciadas; vias preferenciais para o transporte coletivo; restrições para estacionamentos, uso indevido das calçadas; barreiras eletrônicas, semáforos sincronizados; gerenciamento do trânsito com engenharia, fiscalização e educação; estações e pontos de paradas acessíveis e bem mantidos.