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CÉSAR BORGES, SENADOR E EX-GOVERNADOR DA BAHIA:

“Wagner precisa acelerar porque seu governo está acabando”




"A transferência de votos de Lula para a sua candidata não vai ser algo tão fácil"

BN - Quem seria o ideal para governar o Brasil, Dilma Rousseff ou José Serra?

CB - As eleições de 2010 denotam um forte amadurecimento da política e da democracia brasileira. No páreo, estão candidatos fortes, com competência para dirigir o País, dando continuidade ao crescimento econômico, aos avanços sociais e à notoriedade que o Brasil vem conquistando em todo o mundo. Todos sabem que estou na presidência do Partido da República (PR) na Bahia. O PR é um dos partidos da base do governo Lula. Reconheço a competência da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff e o quanto a sua atuação foi importante para o sucesso do projeto político do presidente Lula. Mas, da mesma forma, não posso também deixar de reconhecer a competência de José Serra. Governador da capital econômica do nosso país, que tem mostrado seu talento à frente de um estado complexo com São Paulo. Considero todos dois fortes candidatos para sucessão presidencial, mas não posso dizer qual seria o ideal, mesmo porque estamos no momento de avaliar projetos de governo. E esses projetos ainda não estão completamente definidos - nem de um lado, nem do outro. Por isso, o PR ainda não bateu o martelo.

BN - E para a Bahia, Geddel, Paulo Souto ou Jaques Wagner?

 CB - Na Bahia, espelha-se o mesmo cenário de maturidade política. Três fortes candidatos. Quase que diariamente venho respondendo a esta mesma pergunta. Quem é o governador ideal? Que projeto será capaz de atender aos anseios do povo baiano? Até o momento, não firmei compromisso com nenhum dos candidatos. Estou, justamente, em conversação. Estou conversando com os três candidatos para conhecer que projeto eles têm para o nosso estado. Antes de se pensar em nomes, é fundamental se eleger um projeto. E, ao se pensar um projeto, temos sempre que pensar na vontade e no bem do povo da Bahia. É o que venho sempre buscando fazer. Eu me sinto bastante à vontade para conversar com todos e, na hora certa, tomar a decisão. Outro dia me perguntaram: qual o critério dessa escolha. Respondi que são vários os critérios. Em primeiro lugar tenho de ouvir o meu eleitorado, saber o que pensam e o que querem. Por isso temos feito periódicas pesquisas quantitativas e qualitativas com a população. O outro critério é o partido. Tenho conversado sempre com os deputados federais e estaduais do PR e queremos chegar às eleições deste ano unidos e fortes. Estamos trabalhando para isso.

BN - Como analisa o desempenho do atual Governador?

 CB - Apesar de ter boas relações pessoais com o governador Jaques Wagner, tenho apontado algumas deficiências que precisam ser supridas com urgência. Falo das deficiências na prestação de serviços públicos - em especial no campo da Educação, da Saúde e da Segurança Pública. Vejo também que o governador precisa aumentar competitividade do estado, seja através dos pleitos para atrair investimentos públicos federais ou em infra-estrutura para trazer para cá empresas, que vão gerar emprego, renda e muitos benefícios para a população. Eu sempre digo que um bom projeto de governo é aquele que contempla o desenvolvimento econômico como forma de alavancar o desenvolvimento social. Sinto que o Governo do Estado, aos poucos vem encontrando, o caminho, mas esse processo precisa ser mais rápido. Estamos chegando ao final do governo.

BN - Se o senhor fosse Governador, o que faria para alavancar o Estado?

CB - Eu não sou daqueles que pregam e não fazem. Ao contrário, quem olhar com cuidado o que foi a gestão do estado da Bahia quando fui governador vai perceber que pautei a minha atuação no desenvolvimento econômico e social. No campo econômico, a vinda da Ford foi a grande marca do meu governo. A Bahia conseguiu, com isso, dobrar o seu Produto Interno Bruto, gerar 60.000 empregos diretos e indiretos. A vinda da Ford fomentou a vinda de outras empresas. Fábricas de pneus, de peças. Houve uma efervescência econômica porque a Ford demanda insumos, demanda peças, acessórios, serviços. Mas a Ford demanda, antes de tudo, mão-de-obra. No entanto, para se quebrar o antigo paradigma de que o Nordeste não era uma região vocacionada para a produção automotiva foi uma verdadeira batalha. Foi preciso vontade política e muita coragem na disputa com os outros estados. Aí está a primeira parte da resposta à pergunta. Apostaria, como apostei no passado, no desenvolvimento econômico para investir mais no Social.

 BN - Lula pode transferir, em forma de votos, seu prestígio para seus candidatos?

CB - Olha, há quem diga que o presidente Lula elege até um poste, se ele quiser. Mas as coisas não são bem assim. Claro que, por tudo que foi e é o Governo Lula, ele vai transferir uma parte dos votos. Mas não podemos perder de vista que o presidente Lula é o presidente Lula. Tem sua força, tem seu carisma diante da população. Uma coisa é o presidente Lula, outra coisa é o seu corpo técnico, seu grupo político, seu partido. É por isso que a transferência de voto não vai ser algo tão fácil. Mesmo porque, como já disse, temos fortes candidatos à sucessão presidencial.

BN - Os escândalos envolvendo políticos prejudicam?

CB - Com certeza. Chegamos a um momento de maturidade política que não há mais lugar para improbidade, para a corrupção, para o desmando. Hoje, se um político andar errado com certeza será desmascarado. E aí os meios de comunicação teem um papel fundamental em nossa sociedade. Mas não se pode perder a justa medida. É preciso também estar atento para evitarmos o denuncismo. Muitas vezes, por vontade de um determinado segmento político e também, pela busca frenética de fatos políticos que atraiam a audiência, os meios de comunicação têm acabada com a reputação de muita gente sem direito defesa, sem investigação profunda, nem julgamento. Isso é péssimo.