Prioridades da indústria serão avaliadas por projeto

Para dar suporte ao processo de atração, implantação e licenciamento ambiental de empreendimentos considerados estruturantes para a economia baiana - a exemplo do pólo naval - a FIEB, Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração do Estado e Petrobras estão implementando o Projeto Aliança. Operacionalizado pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL Bahia), entidade do Sistema FIEB, ele irá se debruçar sobre investimentos a serem implantados em municípios do Recôncavo, Oeste baiano, Região Metropolitana de Salvador e Litoral Sul, dentre outras regiões.

São considerados estruturantes projetos que contribuam para alavancar o desenvolvimento socioeconômico da Bahia. Dentre os quais podem ser destacados o polo naval, que está sendo implantado na região do Recôncavo, o adensamento da cadeia petroquímica, a modernização e ampliação dos portos de Salvador e Aratu e a implantação de um complexo  logísticointegrado unindo a região Oeste ao Litoral Sul, incluindo ferrovia, porto e aeroporto internacional. Este último é considerado suporte importante à indução do desenvolvimento econômico e industrial nas regiões Oeste, Sul e Extremo Sul do estado.

Para o presidente da FIEB, Victor Ventin, o atual ciclo de industrialização da Bahia, com a atração de novos empreendimentos e a melhoria da infraestrutura logística, exige uma ampla articulação interinstitucional. O Projeto Aliança é de importância decisiva para a implantação do pólo naval e seus desdobramentos. Além do mais, é também importante porque irá propor uma reflexão sobre a economia baiana e suas oportunidades.

Victor Ventin afirma que "a Secretaria de Indústria e Comércio e a FIEB mostram que a união entre governo e empresários pode render bons frutos. As direções que venham a ser apontadas por este projeto podem resultar em um plano diretor, um mapa do que devemos apoiar e do que é preciso o governo fazer em busca do desenvolvimento da Bahia."

Cadeias produtivas - Conforme explica Reinaldo Sampaio, vice-presidente da FIEB e coordenador do Projeto Aliança pela entidade, estão previstos estudos com ênfase em cadeias produtivas e complexos industriais, com o propósito de construir análises qualificadas sobre as possibilidades de desenvolvimento de novas indústrias no estado, com foco em áreas como petróleo e gás, cadeia produtiva da construção civil, petroquímica, mineral e naval.

Também serão também contemplados planos diretores de desenvolvimento urbano e/ou regional, objetivando a adequação da infraestrutura (urbana, educacional, energética, de transportes, saneamento, comunicação etc) das áreas beneficiárias dos futuros empreendimentos industriais, tendo como pano de fundo a desconcentração setorial e espacial dos investimentos.

Empreendimentos relevantes poderão adquirir uma visão prévia de questões ambientais relevantes envolvidas na sua implantação, o que lhes garantirá maior agilidade na relação com órgãos ambientais e a comunidade. Além disso, o projeto irá capacitar fornecedores potenciais dos grandes projetos industriais, contribuindo para consolidar uma cultura de responsabilidade sócio-ambiental. "As empresas de menor porte da cadeia produtiva precisam hoje ter não apenas um alto padrão de gestão e tecnológico como também cuidados ambientais que lhes credenciem como fornecedores dos grandes empreendimentos", avalia Reinaldo Sampaio.

Explica o superintendente do Instituto Euvaldo Lodi (IEL Bahia), Armando Neto, que o Projeto Aliança é voltado para o planejamento industrial. Irá contemplar ações de suporte aos novos investimentos e prevê a formatação de uma Agenda da Indústria, incluindo a discussão sobre a questão da logística de transportes na Bahia, especialmente a portuária.   

Etapas - Com ações desenvolvidas de forma participativa, o Projeto Aliança buscará envolver os atores relacionados aos empreendimentos, em três etapas. Num primeiro momento, se dará o trabalho de estruturação, com a formação da equipe coordenadora e técnica especializada, detalhamento do processo metodológico de cada uma das atividades a serem implementadas e criação da matriz de atividades e divisão de tarefas, dentre outras ações.

Numa segunda etapa acontecerá a mobilização e sensibilização das comunidades circunvizinhas aos projetos, mapeamento e realização de estudos e o assessoramento e treinamento no processo de licenciamento. A terceira e última etapa será de análise e validação trimestral por parte do comitê gestor de estudos desenvolvidos ao longo do projeto.

O Projeto Aliança tem no seu modelo de governança a figura do comitê gestor formado pela FIEB e pelo IEL,Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração (SICM) e Secretaria Extraordinária da Indústria Naval e Portuária (Seinp). A operacionalização do projeto está sob a responsabilidade do IEL, que tem no seu histórico um portfólio de gestão de mais de 20 projetos.

As ações serão desenvolvidas por quatro grupos de trabalho: o da indústria naval (estaleiros e canteiro offshore); logístico-portuário, no qual está prevista uma revisão do Plano Diretor Portuário do estado; da Agenda da Indústria, com foco na reflexão sobre a indústria do futuro; e ode capacitação empresarial, com foco na capacitação de fornecedores e na área de licenciamento ambiental.